As ações globais subiram na sexta-feira, impulsionadas por um cessar-fogo entre Israel e Líbano e pela notícia de que o Irã reabriria o Estreito de Hormuz para tráfego comercial, gerando um rali generalizado de risco. O Dow Jones Industrial Average subiu mais de mil pontos, fechando próximo de 49.800, o S&P 500 avançou 1,5% superando 7.100 pela primeira vez na história e o Nasdaq Composite subiu 1,7%. O Russell 2000, de menor capitalização, liderou a alta com 2,2%, evidenciando o alcance do movimento.
Irã abre Hormuz enquanto o cessar-fogo com o Líbano se firma
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Seyed Abbas Araghchi, anunciou em X que, em linha com o cessar-fogo com o Líbano, a passagem para todos os demais navios comerciais através do Estreito de Hormuz ficaria totalmente livre durante a vigência da trégua. O presidente Donald Trump afirmou na quinta-feira que Israel e Líbano concordaram com um cessar-fogo de 10 dias, que entrou em vigor às 21:00 GMT do mesmo dia. Trump também agradeceu ao Irã em Truth Social e afirmou que Teerã concordou em nunca fechar novamente a via, uma narrativa que soa mais limpa do que o texto condicional na declaração real do Irã.
A polêmica na comunicação de Washington
Em publicação separada, Trump disse que a Marinha dos EUA manterá o bloqueio aos portos iranianos até que um acordo de paz seja alcançado, acrescentando que o processo deveria avançar rapidamente, já que a maior parte das questões já está acordada. A agência de notícias Tasnim, porém, informou que navios ligados a nações hostis não poderão passar pelo estreito e que o canal poderá se fechar novamente se o bloqueio americano persistir. Duas condições mutuamente dependentes avançando em direções opostas é uma tensão que o mercado optou por ignorar na sexta, mas que pode manter o foco em notícias do comércio até a próxima semana.
O petróleo recua com alívio na oferta
Os contratos futuros de WTI caíram cerca de 14% e ficaram acima de US$ 80 por barril, enquanto o Brent caiu perto de 10% para acima de US$ 89. O recuo reflete a redução rápida do prêmio de risco ligado ao Hormuz nas últimas semanas de escalada. Se a queda continuar, dependerá de as condições de Teerã se manterem e de Washington amenizar a postura naval, que permanece como o instrumento-chave que o Irã cita como fundamento para recuar.
Viagens, cruzeiros e aeroespacial reagem
Empresas com maior exposição ao risco de interrupção em Hormuz lideraram a recuperação. Boeing (BA) subiu cerca de 3% e Royal Caribbean (RCL) disparou 10%, enquanto Amazon (AMZN) e Airbnb (ABNB) também avançaram. Operadoras de cruzeiro foram entre as mais atingidas pela escalada do Médio Oriente, e o tamanho da alta de sexta refletiu a reversão de proteções de risco que vinham sendo acumuladas nas sessões anteriores, em vez de novo dinheiro em busca de notícias.
Futuros do Dow Jones sobem forte
Os futuros do Dow Jones (YM) reagiram de forma abrupta à manchete de Araghchi durante a sessão noturna e mantiveram os ganhos até a abertura de negociação nos EUA, avançando em linha com o índice até o fechamento. O gráfico de 15 minutos mostrou uma trajetória constante desde a região de 48.700, acelerando acima de 49.000 ao meio-dia, chegando a perto de 49.700 no fim da tarde. O volume intradia permaneceu robusto, consistente com curto fechamento de posições vendidas sobre as posições compradas, e os indicadores de Momentum mostraram uma digestão modesta da alta.
Contexto do rali e o que vem a seguir
As três maiores médias sobem firme na semana, com o Dow Jones avançando cerca de 3%, o S&P 500 aproximadamente 4% e o Nasdaq quase 6%. Anthony Saglimbene, estrategista-chefe de mercado da Ameriprise Financial, disse que o mercado revisou os cenários mais extremos e está precificando um caminho para a desescalada, embora tenha alertado que a parte fácil do rali pode já ter ficado para trás. Ele acrescentou que tecnologia, especialmente o grupo Magnificent Seven, precisará apresentar resultados acima do esperado e projeções otimistas para justificar ganhos adicionais. Com o esfriamento do risco geopolítico, o foco volta para os resultados corporativos e para o próximo conjunto de dados de inflação, com a divulgação do Índice de Preços ao Produtor (PPI) como o principal catalisador macro de curto prazo.