EUR/USD: Par Resiliente Enquanto o BCE Espera – MUFG

O analista Derek Halpenny, da MUFG, aponta que o EUR/USD voltou aos níveis pré-conflito, mesmo diante de interrupções no Oriente Médio e preços mais altos de energia, sustentado por ações estáveis e ganhos modestos de petróleo.

A presidente do BCE, Christine Lagarde, soou mais tranquila; uma alta de abril parece menos provável, mas subidas de juros até junho ainda são vistas como prováveis, desde que o petróleo permaneça nos níveis atuais ou acima disso e os mercados de ações permaneçam firmes. A força do euro lhe confere mais tempo, porém aumenta a cautela de curto prazo.

Resiliência do euro dá tempo ao BCE

Lagarde deixou claro que não parecia ter a missão de orientar a precificação do mercado financeiro em outra direção. A precificação para uma alta de abril tem recuado e esse poderia ter sido o momento ideal para alinhar as expectativas antes do blackout que se aproxima (a partir da próxima quinta-feira) antes da reunião seguinte. Assim, uma alta neste mês fica menos provável, mas ainda esperamos um movimento em junho, caso o petróleo permaneça nos níveis atuais ou superiores e os mercados acionários continuem resilientes.

Além disso, argumentamos que o conselho do BCE agora tem mais espaço temporal devido à resiliência do euro, algo que talvez não esperassem no início deste conflito. O EUR/USD ficou mais de 4% abaixo sete semanas após a invasão da Ucrânia, então esse momento é de fato diferente. Lagarde insinuou ontem que a Europa não está no epicentro do conflito no Oriente Médio.

A situação atual foi descrita por Lagarde como entre o cenário base e o adverso (o grave seria o terceiro cenário) e, nesse sentido, o BCE provavelmente terá tempo antes de agir. Um pouco mais de duas altas de 25pb parecem precificadas para este ano, e concordamos com esse ponto neste estágio. Ainda assim, a força do euro reflete em parte o senso de indiferença do mercado aos riscos do Oriente Médio, o que nos deixa cautelosos quanto ao panorama de curto prazo.