Impacto da energia no dólar
Analistas da Brown Brothers Harriman (BBH) destacam que um choque energético prolongado, impulsionado pelo conflito no Irã, aumenta os riscos para a estabilidade financeira e eleva o dólar além do que sugerem apenas as diferenças de juros.
Atualizações de curto prazo
O Brent cru foi recuperando, mas permanece próximo de US$ 120 por barril. A recuperação dos índices globais e dos vínculos de renda fixa estagnou, enquanto o DXY se mantém acima do topo da faixa de vários meses entre 96,00 e 100,00.
Mercados esperam um desfecho hoje: o cessar-fogo entre EUA e Irã tem probabilidades de mudança após rejeições mútuas. O presidente americano citou a possibilidade de ataques adicionais a instalações energéticas iranianas e a reabertura do Estreito de Hormuz até as 20h00, horário de Washington, mas alterações nessa janela parecem improváveis.
O equilíbrio de riscos aponta para um choque energético mais persistente. O Irã tem meios e incentivos para desestabilizar mercados globais e pressionar economicamente para obter concessões. As reivindicações incluem:
- Cessar agressões imediatas e ataques direcionados
- Garantir que a guerra não se repita
- Pagamento de danos e reparações
- Encerrar hostilidades em todos os fronts
- Reconhecimento da soberania sobre o Estreito de Hormuz
Um choque energético contínuo eleva os riscos de estabilidade financeira porque força bancos centrais a manter políticas restritivas, mesmo com crescimento fraco, e coloca a dívida pública em trajetória mais frágil. Nesse cenário, a demanda por financiamento em dólares tende a aumentar em períodos de estresse financeiro, dada a posição dominante do dólar no sistema financeiro global (faturamento de comércio, empréstimos transfronteiriços, emissão global de títulos e reservas em FX).
No cenário além do curto prazo, a expectativa é de neutralidade cíclica em relação ao dólar, com viés estrutural de baixa.

