Zona do Euro: Aumento da Inflação e Postura Hawkish do BCE

Economistas da Societe Generale projetam que a inflação da zona do euro suba significativamente em março, puxada pelos custos de energia, enquanto a inflação subjacente deve recuar levemente. Eles destacam que o BCE reforçou uma inclinação mais hawkish, preparando ajustes menores como “seguro” ao monitorar PMI, pesquisas da EC e dados de crédito para avaliar efeitos de segunda ordem e riscos de crescimento.

Inflação e a função de reação do BCE

A atenção se volta para a divulgação relâmpago da inflação de março. Considerando que dados da Espanha já foram divulgados, espera-se que a inflação total da zona do euro suba 0,8 ponto percentuais, para 2,7% na comparação anual, enquanto a inflação subjacente caia levemente 0,1 ponto, para 2,3% yoy. O choque energético continua sendo o principal motor desse aumento.

Conjuntos de pesquisas nacionais de negócio (Ifo, INSEE, ISTAT, etc.) mostraram impacto semelhante, moderado na confiança empresarial, com expectativas mais fracas, mas ainda apontando crescimento contínuo. Ainda é cedo para capturar integralmente o efeito dos recentes aumentos de energia, pois a maioria das pesquisas foi realizada na primeira metade de março. Se o conflito no Oriente Médio não se resolver, as leituras de abril devem revelar efeitos negativos mais perceptíveis.

Com a inflação na meta e as expectativas bem ancoradas, o BCE permanece bem posicionado para ajustar a política com cautela conforme necessário, enquanto o cenário econômico parece benigno — uma visão compartilhada pelos analistas. Além disso, até o momento, o choque de preços de energia é menor do que em 2022 (o índice sintético de energia do BCE está em 50% de alta, frente a 90% em 2002, principalmente devido a preços mais baixos do gás).

Nas próximas semanas e meses, o BCE enfrentará um desafio significativo — como acontece com outros bancos centrais de mercados desenvolvidos — para detectar rapidamente a extensão e a velocidade da transmissão do atual choque de energia por canais indiretos e efeitos de segunda ordem sobre o crescimento salarial. Com a incerteza do conflito e preços de energia ainda elevados, são esperadas discussões mais difíceis nas próximas reuniões, com maior atenção aos riscos de queda para o crescimento. Por ora, contudo, o BCE parece se preparar para pequenos aumentos como medida de proteção.