Expectativas sobre o BCE sustentam a resiliência do euro
Analistas da Commerzbank destacam que a recente força do euro frente ao dólar reflete a expectativa de que o BCE reagirá aos choques de inflação com mais rapidez do que no passado. A alta de petróleo e gás tende a pressionar os preços na zona do euro, com dados alemães tendo peso relevante. Essa visão aponta para um piso menor para o EUR/USD desde que o BCE mantenha o tom ativo.
Segundo a avaliação, o impacto das cifras de inflação de março da zona do euro já sinaliza o que pode ocorrer nos próximos meses, com a Alemanha na lista de grandes dados a serem divulgados. O consenso entre analistas é de que o mês pode registrar o maior aumento mensal desde 2022.
Se os números vierem abaixo das expectativas, a reação pode ser assimétrica: o mercado tende a minimizar o resultado, atribuindo quedas a fatores pontuais. Com preços de petróleo acima de 50% do nível anterior à guerra e com gás e combustíveis subindo, é improvável que a inflação não suba nos próximos meses.
Por outro lado, resultados acima do esperado podem alimentar temores de inflação ainda maior e empurrar as expectativas de aumento de juros para cima. Isso tenderia a impulsionar o euro frente ao dólar, principalmente no curto prazo.
Concomitantemente, a alta recente dos preços de energia e o vigor do dólar contribuíram para uma queda menor do EUR/USD do que o esperado, justamente por precificação de um BCE mais ativo. Enquanto esse cenário permanecer, o potencial de queda para o EUR/USD tende a ficar limitado. Contudo, se a pressão aumentar novamente, esperam-se oscilações mais acentuadas em caso de escalada do conflito.