ECB: Choque de energia mantém aumentos de juros em jogo – Nordea

Um analista da Nordea argumenta que o aumento dos preços de energia, decorrentes do conflito no Oriente Médio, aumentou bastante a incerteza sobre o caminho dos juros do BCE, com aumentos em abril já precificados, porém ainda vistos como prematuros sem sinais claros de efeitos inflacionários em segunda ordem. Ele observa o foco do BCE em cenários de risco, a prontidão histórica para reagir a choques energéticos e a preferência por esperar as projeções de junho antes de ajustar a linha de base.

Choque de energia testa a função de reação do BCE

A precificação dos aumentos de juros do BCE ganhou impulso de forma contundente. Em certo momento, ainda no início desta semana, um aumento de 25 pontos-base já estava totalmente precificado para a próxima reunião, no final de abril. Essa reunião provavelmente ocorre cedo demais para o BCE ter uma visão precisa de como o aumento dos preços de energia se traduz em pressões inflacionárias mais amplas e se haverá efeitos de segunda ordem.

O limiar para agir ainda não foi atingido. O economista-chefe Lane apresentou o indicador sintético de preços de commodities energéticas, que ainda classifica o choque atual como de magnitude média. Embora o indicador tenha sido atualizado apenas até 11 de março de 2026, data de corte para as previsões da equipe, isso sugere que ainda não está claro se o BCE precisa responder.

Embora não seja nossa hipótese base no momento, há argumentos a favor de um movimento já em abril caso a situação no Oriente Médio se intensifique, os preços de energia subam ainda mais e as curvas de futuros indiquem que os preços permanecerão mais altos por mais tempo.

Continuamos a achar que seria mais prudente para o BCE esperar até, no mínimo, a reunião de junho, para obter melhor clareza sobre a evolução da situação no Oriente Médio, como a economia reage aos preços mais altos, qual será a resposta da política fiscal e, principalmente, como os preços mais altos de energia se transmitem a outros preços e às expectativas de inflação.