Analistas da OCBC, Sim Moh Siong e Christopher Wong, destacam que a libra esterlina (GBP) tem mostrado resiliência desde o início do conflito no Irã, impulsionada por uma mudança agressiva nas expectativas de juros no Reino Unido. No entanto, avaliam que esse reajuste foi excessivo diante de um crescimento britânico mais fraco, incertezas ligadas ao preço da energia e o aumento de riscos fiscais, o que sugere manter a política do BoE por mais tempo e uma postura mais cautelosa com o GBP.
Expectativas de alta do BoE parecem exageradas
A resiliência da GBP reflete uma reprecificação agressiva de juros, mas a mudança de sentimento do mercado parece desproporcional diante de um crescimento enfraquecido, a incerteza ligada à energia e os riscos fiscais crescentes, tornando o cenário do GBP menos atrativo.
Apesar de ser importadora líquida de energia, a GBP tem mostrado mais resistência entre as moedas G10 desde o início do conflito no Irã, sustentada pela mudança hawkish nas expectativas de juros no Reino Unido.
A libra manteve-se estável, pois uma elevação do CPI do Reino Unido acima do esperado não deve alterar o caminho da política do BoE, que depende principalmente da magnitude e duração do choque energético.
Nossa projeção para um corte de juros do BoE no terceiro trimestre de 2026 parece menos provável agora, com a expectativa de uma manutenção mais prolongada da política parecendo mais realista. Ainda assim, a reprecificação agressiva do mercado parece excessiva frente ao crescimento mais fraco do Reino Unido e às trade-offs de política que surgiriam se os preços da energia permanecerem elevados.
Geopolítica deslocou a política interna para segundo plano, mas o choque energético e as eleições locais de maio podem aumentar a probabilidade de políticas fiscais mais expansionistas. Esses riscos fiscais crescentes nos deixam mais cautelosos em relação ao andamento da GBP.
Análise baseada em dados de mercado e perspectivas macro.