Óleo: a escalada de riscos mantém a ansiedade de suprimento elevada

O estrategista sênior de mercado do Rabobank, Benjamin Picton, aponta que a guerra no Irã e as ameaças no estreito de Hormuz mantêm um risco significativo para os mercados de petróleo. Picton observa que retaliação iraniana poderia mirar infraestrutura energética no Golfo, e que qualquer sinal de recuo dos EUA deixaria o Irã controlando os fluxos de Hormuz, com possível precificação em yuan (CNY), um desfecho inaceitável para os Estados Unidos.

Tensões em Hormuz mantêm o risco energético

Destruir infraestrutura de petróleo e gás nos aproxima de cenários de pior caso, nos quais o suprimento de energia e outras commodities pode permanecer restrito por tempo indeterminado.

Portanto, podemos esperar um repique rápido nos preços do petróleo e nos ativos de risco? A resposta curta é: provavelmente não.

Mesmo que os EUA suspendam ações, não há garantia de que o Irã permita a reabertura do Estreito de Hormuz. Isso significa que os EUA estariam arriscando um momento de Suez, perdendo o controle do fluxo de energia para os mercados globais.

Esse cenário poderia ser interpretado como o fim da hegemonia dos EUA no mundo, com o Irã mantendo o controle dos fluxos de petróleo por Hormuz e impondo pagamentos de pedágio e preços em CNY.

O Irã também fez alguns gestos conciliatórios no fim da semana passada, permitindo o trânsito de cargueiros indianos com GLP pelo estreito e sinalizando que um acordo semelhante pode ser alcançado em breve com o Japão. Isso alivia a pressão nos mercados de energia a curto prazo, mas continua sendo apenas um pequeno alívio, e a demanda asiática deve continuar a ser contida até que Hormuz possa ser reaberto de alguma forma.