Ouro continua pressionado, mirando o menor patamar do ano diante de bancos centrais mais agressivos

Ouro (XAU/USD) continua em queda acentuada, acumulando perdas nas últimas três semanas e registrando o quarto dia seguido de baixa na segunda-feira. A cotação atingiu o menor nível desde o começo de janeiro durante a sessão asiática, encontrando suporte próximo ao patamar de 4.300 dólares. Recuperação expressiva parece improvável diante de bancos centrais com postura mais agressiva, o que tende a pressionar o metal sem rendimento.

Política monetária global em foco

O Banco do Japão manteve o viés de normalização da política monetária e alertou que o repentino aumento dos preços do petróleo, impulsionado pelo conflito no Oriente Médio, pode intensificar as pressões inflacionárias. O Banco da Inglaterra indicou uma inclinação hawkish e abriu caminho para possibilidades de alta de juros já em abril devido à inflação ligada à guerra no Irã. O ECB sinalizou disposição para agir já em 30 de abril se as pressões de preços se intensificarem por tensões geopolíticas.

Enquanto isso, a Federal Reserve elevou as projeções de inflação para o fim do ano (PCE), citando riscos de custos de energia mais altos em decorrência do conflito com o Irã, prevendo apenas uma redução de juros neste ano e outra em 2027. Isso sustenta os rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA e continua sendo um fator de suporte ao dólar, o que também pressiona o ouro. No entanto, a escalada de tensões geopolíticas beneficia ativos de refúgio e ajuda a limitar novas quedas.

Nos últimos desenvolvimentos, o presidente dos EUA, Donald Trump, estabeleceu um prazo de 48 horas para reabrir o Estreito de Hormuz e ameaçou mirar infraestrutura de energia do Irã se a demanda não for atendida. O Irã respondeu prometendo intensificar ataques a infraestruturas de energia e mirar instalações de dessalinização de água em toda a região, caso a promessa de Trump se concretize. Esses desdobramentos ajudam a sustentar o ouro perto de 4.300 dólares.

Análise técnica

Do ponto de vista técnico, a recente quebra da Média Móvel Exponencial de 200 períodos no gráfico de 4 horas e a perda abaixo de 4.600 favorecem o cenário de baixa para o XAU/USD. O MACD permanece em território negativo, com a linha abaixo da linha de sinal e um histograma ainda acentuado, sugerindo momentum baixista mesmo com leve alívio na pressão negativa. O RSI em 34 fica abaixo de 50, reforçando o controle dos sellers.

A primeira área de suporte fica na faixa de 4.3204.319 dólares; romper esse piso pode abrir caminho para 4.250 dólares, prolongando a sequência de quedas. No lado oposto, a resistência inicial fica em torno de 4.500 dólares, com resistência mais firme por volta de 4.650. Romper acima de 4.650 exporia a região de 4.850 como próximo obstáculo, onde houve congestão anterior. Contudo, repiques seguem suscetíveis a venda enquanto o ouro permanecer abaixo de 4.650 e da EMA de 200 no gráfico de 4h.

Perguntas frequentes

Por que as pessoas investem em Ouro?

O Ouro é tradicionalmente visto como reserva de valor e proteção contra a inflação, além de funcionar como abrigo seguro em períodos de instabilidade, servindo como proteção contra a depreciação de moedas.

Quem compra mais Ouro?

Bancos centrais são os maiores detentores, comprando ouro para diversificar reservas e reforçar a solvência da economia. Em 2022, eles adicionaram várias centenas de toneladas, marcando recorde histórico de compras anuais.

Como o Ouro se correlaciona com outros ativos?

O Ouro tende a ter correlação inversa com o dólar e com títulos do Tesouro, servindo como hedge em cenários de risco. Em momentos de alta no mercado de ações, o Ouro geralmente perde valor, enquanto quedas nos ativos de maior risco costumam favorecer o metal.

Do que depende o preço do Ouro?

O preço é influenciado por fatores geopolíticos, taxas de juros, inflação, e principalmente pela atuação do dólar americano. Um dólar forte tende a conter as altas do Ouro, enquanto dólar mais fraco tende a impulsioná-lo.