Prévia do CPI dos EUA: novo relatório confuso com números de outubro ausentes devido à paralisação

Prévia do CPI dos EUA: com paralisação, o relatório chega conturbado e com números de outubro ausentes. A leitura de inflação deve capturar a atenção de decisões de bancos centrais hoje, mas o cenário fica complicado pela paralisação do governo que levou o BLS a omitir o dado de outubro; o foco, portanto, é nos números de novembro. Ainda assim, é possível que haja algumas leituras de outubro como referência, caso o BLS opte por divulgá-las.

A metodologia de coleta do BLS continua a depender de fontes que não exigem coleta direta em campo. Parte da cesta de CPI vem de preços online e de provedores de dados privados.

Por esse motivo, é provável que haja números de outubro para referência, mas o mercado tenderá a olhar para a variação de dois meses, já que não haverá um dado mensal completo. Aguardam-se as novas leituras.

Expectativa: a inflação titular no acumulado anual deve ficar em torno de 3,1% em novembro, apenas um pouco acima de 3,0% em setembro. A inflação núcleo anual é estimada em 3,0% estável. Ao detalhar o segundo decimal, pode haver pistas sobre a direção dos números.

Estimativas de analistas apontam: a inflação anual titular em torno de 3,05% (arredondando para 3,1%), enquanto a inflação núcleo fica em 2,98% (próximo de 3,0%).

Espera-se que a inflação de bens de núcleo tenha leve alta, pressionada por tarifas sobre algumas categorias. Já a inflação de serviços núcleo, que exclui aluguéis, deve moderar ainda mais, ajudando a manter as pressões de preço controladas.

A seguir, o que alguns analistas comentam antes da divulgação:

  • Banco: a inflação núcleo deve ficar em torno de 0,23% mês a mês entre outubro e novembro; como o BLS não divulgará o agregado de outubro, a avaliação recai sobre a variação de dois meses. A previsão aponta para 0,46% no agregado (0,23% m/m). A inflação anual deve recuar de 3,0% em setembro para 2,9% em novembro. A expectativa considera que informações sobre novos planos de saúde devem reduzir a leitura de headline e core, sem impactar a inflação medida pelo PCE.
  • Goldman Sachs: a inflação núcleo deve subir em média 0,21% ao mês entre outubro e novembro; como outubro não é divulgado, mudanças de preço entre dois meses ou anual devem ser consideradas. Espera-se pressão de tarifas em categorias com maior exposição, elevando o núcleo em cerca de 0,08 ponto percentual em média. Impulso de dados adiados pode puxar para baixo na segunda metade de novembro, com peso de -0,04pp. Nos próximos meses, tarifas devem sustentar a inflação mensal, com núcleo em torno de 0,2% a 0,3%.
  • Barclays: a inflação núcleo deve ficar em 0,29% ao mês entre outubro e novembro; o relatório não oferece orientação sobre como lidar com os dados de outubro ausentes. A leitura pode não ser “limpa”, com outubro incompleto e novembro com amostra de preços menor. O aumento deve ser liderado por preços de bens núcleo, com expectativa de aceleração nos dois meses anteriores, impulsionada pela recuperação de preços de carros usados e inflação mais firme no conjunto de bens núcleo. Participantes do mercado temem viés para baixo, já que a coleta de preços ocorreu principalmente na segunda metade de novembro, durante promoções de Black Friday.

Observação: o relatório está sob consulta dos próximos dados, e a leitura pode influenciar decisões de política monetária conforme o andamento da coleta de preços e das informações de outubro, que permaneceram incompletas.