O cenário de crescimento da China está se deteriorando, já que o enfraquecimento das exportações expõe falhas estruturais mais profundas na economia, conforme aponta a Nomura em um recente fórum de investimentos. O principal economista da instituição para a China destacou que a combinação de recuo prolongado do setor imobiliário, consumo contido e queda nos investimentos em ativos fixos deixa a economia cada vez mais dependente de medidas de estímulo econômico.
A Nomura passou a prever que o crescimento do PIB chinês ficará próximo de 4% nos próximos trimestres. Enquanto dados oficiais indicaram uma expansão de 5,2% no acumulado de nove meses de 2025, o crescimento trimestral desacelerou para 4,8% no terceiro trimestre — ritmo visto como sinal de desaceleração mais ampla em investimento, consumo e comércio.
O investimento em ativos fixos — responsável por cerca de 40% do PIB — vem encolhendo mês a mês desde junho e caiu 12,2% em outubro, queda que a Nomura descreveu como historicamente rara. As vendas no varejo também amainaram, passando de crescimento de 3,7% em julho para 2,9% em outubro, com o banco alertando que a taxa pode cair para perto de 2% nos meses seguintes.
O aviso reforça a expectativa de mais afrouxamento monetário por Pequim e pode pesar sobre ativos sensíveis à China, commodities e câmbio regional, especialmente se os dados continuarem apontando para um crescimento próximo de 4%.