O petróleo benchmark WTI ainda operava acima de US$ 100 por barril em uma sessão de forte volatilidade, atingindo picos próximos de US$ 101 antes de recuar rapidamente para perto de US$ 98. A recuperação o levou a ganhos de cerca de 1,15% até a metade do pregão nos EUA.
Trump intensifica a retórica sobre o Irã
Os movimentos nos preços foram, em grande parte, impulsionados por publicações do presidente nas redes sociais, sugerindo uma visão de avanços nas negociações com Teerã. Contudo, o tom mudou quando ele mencionou a possibilidade de ‘elimitar’ as usinas de energia iranianas, poços de petróleo e Kharg Island caso o Estreito de Hormuz não seja reaberto imediatamente. O Irã negou qualquer negociação com os EUA, reforçando a sensação de incerteza no processo diplomático.
Incursões no conflito pelo Iêmen
No fim de semana, o movimento Houthi, alinhado ao Irã, atirou mísseis contra Israel, ampliando o raio de atuação do conflito e elevando o risco de interrupções no tráfego pelo estreito entre o Mar Vermelho e o Golfo de Aden. A possibilidade de novas interrupções no Bab el-Mandeb intensifica a visão de resistência de oferta, principalmente quando o Estreito de Hormuz permanece sob pressão.
O patamar de US$ 100 e o prêmio geopolítico
O WTI mantém-se acima de US$ 100, um piso que analistas veem como sustentado estruturalmente. O estreito de Hormuz continua com restrições significativas ao fluxo comercial desde o início de março, removendo uma porção considerável da demanda mundial por petróleo. A OPEC+ indicou que não planeja aumentos de produção no curto prazo, enquanto liberações estratégicas recentes tiveram efeito limitado em frear a alta. A EIA projeta Brent acima de US$ 95 no curto prazo, com uma trajetória que pode recuar para US$ 80–US$ 70 até o fim do ano apenas se o conflito se resolver e Hormuz reabrir.
Política monetária e o desafio da estagflação
O chairman do Fed, Jerome Powell, discursou a uma turma de economia de Harvard, com a vigilância do mercado sobre qualquer mudança no tom em relação à inflação e ao crescimento. O comitê manteve as taxas entre 3,50% e 3,75% na última reunião e sinalizou apenas uma queda de juros para 2026. O choque de preços do petróleo tende a complicar a política monetária, mas não há sinais claros de recuo, com as probabilidades de cortes mantidas sob pressão para o restante de 2026. O próximo dado de emprego, o NFP de fevereiro, permanece no radar.
Olhar para frente: o prazo de 6 de abril
O dia 6 de abril traduziu-se como o principal marco para o mercado, definindo a reabertura do Hormuz e o futuro do básico cenário geopolítico. Um avanço diplomático pode derrubar rapidamente o prêmio de risco, enquanto uma escalada envolvendo Kharg Island pode levar o WTI a níveis próximos de US$ 115 ou mais. Caso Hormuz permaneça fechado por mais tempo, o Brent pode testar picos históricos próximos de US$ 147. Enquanto isso, o relatório semanal de estoques da EIA deve fornecer um catalisador de curto prazo para as negociações.
Resumo técnico de curto prazo
No gráfico de 5 minutos, o WTI opera próximo de US$ 100,2 com viés levemente otimista, sustentado pela média móvel de 200 períodos que funciona como suporte dinâmico. O rompimento acima de US$ 100 representa próximo objetivo para a próxima alta. No gráfico diário, o petróleo está em torno de US$ 100,1, com a tendência ainda positiva, indicando que quedas podem ser apenas correções dentro da tendência maior. Suportes próximos a US$ 99,0 e entre US$ 95–96 ajudam a delimitar o piso.
Observação: os dados e as projeções refletem cenários de risco geopolítico e podem se alterar conforme o desenrolar dos eventos e as publicações oficiais.


