WTI sustenta patamar de $97,00 com possível endurecimento de bloqueio dos EUA contra o Irã

O preço do petróleo West Texas Intermediate (WTI) permanece em território negativo após uma sessão de volatilidade, sendo negociado próximo a $97,00 por barril durante as horas asiáticas desta quarta-feira. No entanto, as cotações da commodity podem ensaiar uma recuperação diante de relatos de que os Estados Unidos podem estender o bloqueio ao Irã, prolongando as interrupções de oferta no Oriente Médio.

Segundo o Wall Street Journal, o presidente Donald Trump instruiu assessores a prepararem a ampliação do cerco econômico. A estratégia foca em restringir o tráfego marítimo nos portos iranianos para asfixiar as exportações de óleo. Fontes indicam que a manutenção do bloqueio é vista como uma opção menos arriscada do que a retomada de bombardeios ou a retirada total do conflito.

Divisões na OPEP e tensão no Estreito de Hormuz

Somando-se ao cenário de incerteza, os Emirados Árabes Unidos (EAU) devem deixar a OPEP em 1º de maio. A saída representa um golpe significativo para o cartel, evidenciando as fissuras entre as nações do Golfo em meio à crise energética sem precedentes gerada pelo conflito com o Irã.

O Estreito de Hormuz, corredor vital por onde passa cerca de 20% do suprimento global de petróleo, continua sendo o ponto central da disputa. O Irã pressiona pelo fim do bloqueio naval para retomar as negociações, enquanto o fluxo de energia permanece severamente comprometido.

Pressão sobre refinarias chinesas

A administração Trump intensificou a pressão ao sinalizar sanções contra refinarias chinesas que mantêm vínculos com Teerã. Além disso, países que pagam taxas de trânsito para garantir passagem pelo Estreito de Hormuz também estão no radar de Washington, o que pode elevar ainda mais os prêmios de risco no mercado de commodities.


O que move o preço do WTI?

O WTI é uma referência (benchmark) de alta qualidade, classificado como “light sweet” devido ao baixo teor de enxofre. Seus preços são regidos pela dinâmica de oferta e demanda global, decisões da OPEP+ e dados de estoques dos EUA (API e EIA). Em momentos de instabilidade geopolítica, como o atual impasse no Oriente Médio, o ativo tende a apresentar forte volatilidade.