Vitória de Takaichi reduz as chances de alta do BOJ; trajetória da taxa permanece cautelosa

A vitória esperada de Sanae Takaichi como próxima primeira-ministra do Japão parece adiar, mas não bloquear o caminho do Banco do Japão (BOJ) rumo a juros mais altos. Analistas apontam que sua agenda reflacionária e o apoio a estímulos fiscais de grande escala tornam improvável uma alta de juros em outubro, embora o banco possa retomar o aperto no início do próximo ano caso o iene se desvalorize significativamente.

A Reuters aponta que Takaichi não é Abe.

Takaichi, conservadora nacionalista e aliada próxima da falecida Shinzo Abe, tem defendido há anos a cartilha pró-crescimento de Abenomics: gastos agressivos e política monetária extremamente frouxa. Ao vencer a liderança do partido, comprometeu-se a priorizar inflação puxada pela demanda, argumentando que o Japão ainda não superou as pressões deflacionárias, especialmente com tarifas da era Trump afetando exportadores.

Os mercados já precificavam uma probabilidade de 60% de alta em outubro antes de sua vitória. Economistas agora esperam que o governador Ueda adote uma postura mais cautelosa diante das incertezas globais. No entanto, adiar o aperto por muito tempo pode provocar outra queda acentuada do iene — possivelmente além de ¥150 por dólar — o que poderia piorar a inflação importada.

Embora a vitória de Takaichi possa tensionar a independência do BOJ no curto prazo, analistas concordam que é improvável reverter totalmente o ciclo de aperto, visto que a inflação permanece acima da meta e o foco da política é a estabilidade de preços.

Perspectivas de mercado

Foi publicada a observação de que se deveria acompanhar o preenchimento do gap do iene. Também vale considerar o Nikkei, já que os contratos futuros abriram.

A peça da Reuters que resumi acima é apenas uma entre várias análises que minimizam a euforia do mercado sobre a vitória de Takaichi.