USD: Os fundamentos do petrodólar são testados pelo conflito com o Irã

Analistas do Deutsche Bank apontam que o conflito no Irã pode pôr à prova as bases do regime petrodólar e, por conseguinte, o papel do dólar como moeda de reserva mundial. Mudanças no comércio de petróleo no Oriente Médio, sanções e o desenvolvimento de sistemas de pagamento alternativos podem, aos poucos, reduzir o domínio do dólar no comércio global e nas poupanças.

Conflito no Irã e pressões sobre o petrodólar

O legado de longo prazo desse conflito para o dólar pode estar na forma como ele testa as bases do regime petrodólar. Caso apareçam novas fissuras, podem surgir efeitos significativos no uso do dólar no comércio global e nas poupanças, além de afetar o papel dele como reserva mundial.

As bases do regime petrodólar já vinham sendo pressionadas antes deste choque. Atualmente, grande parte do petróleo do Oriente Médio é negociada com a Ásia em vez dos EUA; o petróleo sancionado da Rússia e do Irã já circula fora das rotas do dólar; a Arábia Saudita tem investido na defesa local e testado formas de infraestrutura de pagamentos sem o dólar, como o Projeto mBridge.

O conflito atual pode expor ainda mais linhas de falha, ao desafiar o guarda-chuva de segurança norte-americano para a infraestrutura do Golfo e a segurança marítima do comércio de petróleo. Danos às economias da região poderiam incentivar uma redução de suas poupanças em ativos externos. Nesse cenário, relatos sobre a possibilidade de navios atravessarem o Estreito de Hormuz em troca de pagamentos em yuan devem ser acompanhados de perto.

O conflito pode ser lembrado como catalisador da erosão do domínio do petrodólar e do nascimento do petroyuan.

Um mundo mais autossuficiente em defesa e energia também poderia manter menos reservas em dólares.