Analistas do Societe Generale discutiram os ventos contrários persistentes para a rúpia indiana (INR) em relação ao dólar americano (USD), à medida que a Índia enfrenta faturas elevadas de importação de petróleo e ouro. O economista Kunal Kundu alerta para os riscos crescentes de que o Reserve Bank of India (RBI) possa apertar a política monetária de forma preventiva devido aos preços de energia, à ligação do gás com a ureia e a condições climáticas adversas.
Rúpia pressionada por importações e riscos do RBI
Na Ásia, os desafios que a INR enfrenta não mostram sinais de arrefecimento. A moeda retornou ontem para níveis abaixo de 94,50, após abrir com um gap de baixa, enquanto o país lida com pesados custos de importação de commodities essenciais.
Kunal Kundu destaca que o risco de um aperto monetário antecipado pelo RBI é impulsionado por um impacto triplo: (a) preços elevados de energia, (b) forte correlação da ureia com o gás natural e (c) clima adverso, como ondas de calor ou atrasos nas monções.
“Nesse cenário, vemos pouco mérito em tentar operar contra a tendência (fade the trend), e um reteste da máxima recente próxima a 95,23 pode ser inevitável”, afirmam os analistas.
Além disso, o RBI pode se tornar mais ativo no mercado de títulos, vendendo papéis de curto prazo e comprando títulos públicos indianos (IGBs) com vencimento em 10 anos, visando manter o rendimento (yield) da 10y abaixo de 7,0%.

