O dólar canadense (CAD) segue pressionado frente ao dólar dos EUA (USD) na quinta-feira, com as tensões no Oriente Médio e a incerteza contínua sobre as negociações entre EUA e Irã sustentando o dólar forte em geral.
No momento da leitura, o par USD/CAD opera próximo de 1.3848, atingindo a maior cotação desde 20 de janeiro e ampliando ganhos por quatro dias consecutivos.
Contexto geopolítico e impacto no petróleo
O Irã rejeitou uma proposta de acordo de 15 pontos apresentada pelos EUA, afirmando que qualquer entendimento viria apenas sob seus termos, incluindo garantias de segurança e o reconhecimento de seu controle estratégico sobre o Estreito de Hormuz.
Essa resistência aumenta as preocupações de um conflito prolongado, com a mídia iraniana citando o Exército ao alertar que uma incursão terrestre seria “mais perigosa e dispendiosa” para os EUA, em meio a relatos de mais tropas americanas na região.
Enquanto isso, o presidente dos EUA, Donald Trump, reiterou que as negociações permanecem ativas, mesmo com a negação pública de Teerã. Em postagens nas redes sociais, ele afirmou que negociadores iranianos estavam “implorando por um acordo” e alertou que o tempo para uma resolução diplomática está se esgotando, sugerindo que pode não haver retorno.
Com as posições firmes de ambas as partes, uma solução a curto prazo parece improvável, elevando o risco de um conflito prolongado e de efeitos econômicos mais amplos.
Os preços do petróleo permanecem voláteis e bem acima dos níveis pré-conflito, alimentando expectativas de inflação e complicando a trajetória de política monetária para Fed e BoC.
Apesar de serem grandes exportadores líquidos de petróleo, o aumento sustentado dos preços energéticos pode reduzir o poder de compra dos consumidores e frear o crescimento econômico.
Os formuladores de política monitoram de perto a situação e podem ser forçados a elevar juros se as pressões inflacionárias se ampliarem de forma persistente.
Segundo o CME FedWatch, o mercado projeta em sua maioria que a Federal Reserve manterá as taxas entre 3,50% e 3,75% até 2026, embora haja uma intensificação gradual da probabilidade de nova alta, com a possibilidade de chegar à faixa de 3,75%–4,00% em torno de outubro, perto de 40%.
No âmbito da BoC, os mercados passaram a precificar aproximadamente 75 pontos-base de altas até o fim de 2026, segundo dados da LSEG citados por uma reportagem da Reuters publicada no início do mês.
Em termos de commodity, o petróleo continua sob volatilidade, apoiando pressões inflacionárias e abrindo espaço para ajustes na condução da política monetária de ambos os bancos centrais.
O que observar nos próximos dias
- Movimentação do USD/CAD em torno de 1,38, com volatilidade condicionando operações.
- Desempenho do petróleo e impactos na inflação.
- Ruídos políticos e próximos comunicados de Fed e BoC.