O ouro (XAU/USD) encontra-se em uma encruzilhada: a demanda do setor oficial continua a sustentar os preços mesmo em níveis elevados, enquanto o quadro técnico se deteriorou após o metal falhar em se manter acima de sua Média Móvel Simples (MMS) de 200 dias, deixando suportes chave expostos.
Apetite do Banco Central Não Dá Sinais de Desvanecimento
A equipe de commodities da ING, liderada por Warren Patterson e Ewa Manthey, aponta para a compra persistente do setor oficial como a espinha dorsal estrutural do mercado. Dados do World Gold Council mostraram que os bancos centrais permaneceram compradores líquidos em agosto, adicionando 39 toneladas e elevando as compras no ano para 170 toneladas.
“A China liderou as compras com 20 toneladas, estendendo sua sequência de compras para 22 meses consecutivos, enquanto Polônia e Uzbequistão adicionaram 8 toneladas cada às suas reservas.”
O banco enfatiza que essa demanda é estratégica, não tática: “As compras continuam a ser impulsionadas por objetivos de diversificação de reservas de longo prazo, em vez de movimentos de mercado de curto prazo.” Com os bancos centrais de mercados emergentes ainda acumulando, a ING vê a demanda do setor oficial “provavelmente permanecendo uma fonte importante de suporte para o mercado nos próximos meses”.
Técnicos Disparam Alerta com Suportes Chave Sob Pressão
Estrategistas do Societe Generale adotam uma leitura muito mais cautelosa. O ouro estendeu seu recuo após lutar para se estabelecer acima da MMS de 200 dias em US$ 4.510/US$ 4.540, e agora está “deslizando em direção à projeção intermediária perto de US$ 4.095, que pode atuar como um suporte potencial”.
O risco pende para baixo a partir daqui: “Uma incapacidade de defender os US$ 4.095 pode aprofundar a tendência de baixa em direção a US$ 4.000 e os mínimos de junho/julho em US$ 3.960/US$ 3.940”, observa o banco, sinalizando essa zona como o limite inferior de um intervalo multimeses e um suporte crítico.
Onde os Bancos Concordam e Divergem?
Ambos os bancos veem a compra por bancos centrais como o principal pilar do mercado, mas divergem quanto à direção. A visão estrutural da ING sugere que a demanda oficial resiliente limita o risco de queda, enquanto a análise baseada em gráficos do Societe Generale implica que a falha em US$ 4.095 abriria uma queda em direção à área de US$ 3.960-US$ 3.940. A reconciliação: a demanda física pode desacelerar a queda, mas não impediu a quebra técnica – a ação do preço continua sendo o motor de curto prazo.
A Conclusão
Os bancos centrais estão construindo o piso do ouro, mas seu teto falhou. Com o Societe Generale alertando que uma quebra de US$ 4.095 tem como alvo US$ 4.000 e os mínimos de junho/julho perto de US$ 3.940, os traders devem observar esse nível atentamente; a evidência da ING de acumulação persistente do setor oficial sugere que qualquer mergulho no suporte pode encontrar compradores pacientes por baixo.

