Panorama internacional antes da negociação europeia
Há muita tensão para encerrar a semana passada que se manteve no fim de semana e nos primeiros momentos de hoje. Tudo gira em torno de Trump e de seu estilo teatral, o desdobramento mais recente reacende a chama com a China. O timing parece curioso, surgindo logo após a derrota na tentativa de receber o Prêmio Nobel da Paz.
De qualquer modo, segue um resumo do que enfrentaremos a partir de sexta-feira e do fim do fim de semana, antes da abertura dos negócios na Europa.
França: governo novo em meio à turbulência
A França apresentou um novo governo em meio à turbulência política. Sébastien Lecornu foi reconduzido ao cargo de primeiro-ministro apenas quatro dias após pedir demissão. Ele anunciou um novo gabinete e precisa apresentar, até terça-feira, um projeto de orçamento para 2026. Isso dá ao parlamento o tempo para analisar o plano antes do fim do ano. Não contamos com milagres. Insanidade é fazer a mesma coisa repetidamente esperando resultados diferentes.
Japão: fratura política sem solução
A decisão do partido Komeito de deixar a coalizão governista continua causando abalos no cenário político japonês. Isso atrapalha a caminhada de Sanae Takaichi para tornar-se a próxima primeira-ministra. A falta de soluções para resolver a situação mantém a incerteza política, dificultando prever como as coisas vão se desenrolar. Dor.
China defende controles sobre exportação de terras raras
Este é o trunfo de Pequim e não hesitam em usá-lo novamente na preparação para o encontro entre Xi e Trump. O avanço no comércio fica em risco, pois as duas partes continuam reagindo com firmeza sem chegar a compromissos significativos. Como já foi dito, a disputa comercial está apenas suspensa desde abril. E os últimos desenvolvimentos reafirmam isso: a China não vai ficar de braços cruzados diante de provocações de Trump.
Ameaças de tarifas e o tom de Trump
Trump ameaçou novas tarifas contra a China na sexta-feira, mas ainda há espaço para que a situação se acalme. Ele disse que há uma eternidade antes do prazo de 1º de novembro, sugerindo que as tensões podem recuar e que as partes podem chegar a um acordo para pausar o conflito comercial. Enquanto isso, o mercado tenta precificar esse cenário. Seu último tuíte também ajuda a animar o humor dos investidores.
Pode soar passivo-agressivo, mas ao menos é menos agressivo que ataques diretos. Ainda assim, abre espaço para recuos nas ameaças, pelo menos é assim que o mercado interpreta o subtexto no momento.
Assim, movimentos de risco estão se recuperando, com o dólar tentando neutralizar parte das oscilações de sexta-feira. O AUD/USD sobe 0,8% para 0,6523, enquanto os futuros do S&P 500 sobem 1,3% após a queda acentuada da sexta-feira passada.