Estrategistas do Standard Chartered, Christopher Graham e John Davies, destacam que o aumento da ociosidade no mercado de trabalho e a demanda interna fragilizada devem limitar os efeitos de segunda ordem da inflação no Reino Unido (UK). Com o número de vagas de emprego em mínimas de vários anos e a redução nas folhas de pagamento (payrolls), o poder de barganha salarial dos trabalhadores e o poder de precificação das empresas são considerados mais fracos do que no período pós-COVID.
Ociosidade laboral e dinâmica de demanda enfraquecida
“De fato, a crescente ociosidade no mercado de trabalho (com as vagas agora em seu nível mais baixo em mais de 10 anos e os payrolls caindo 120 mil nos últimos 18 meses), bem como a demanda doméstica frágil, provavelmente mitigarão o risco de efeitos secundários”, afirmam os analistas. Segundo eles, os trabalhadores detêm significativamente menos poder de negociação salarial e as empresas menos poder de repasse de preços do que no ambiente pós-pandemia.
Além disso, a perspectiva de um suporte fiscal amplo para compensar a alta nos preços de energia parece muito menos provável do que em 2022–2023. O grau de apoio governamental naqueles anos provavelmente prolongou o choque inflacionário, embora tenha mitigado os riscos econômicos de baixa (downside risks).
“Desta vez, o ambiente macroeconômico parece muito diferente”, observa a equipe do banco. Embora a demanda subjacente fosse mais fraca anteriormente, os analistas reforçam que existe um precedente para o mercado ignorar choques temporários nos preços de energia diante das condições atuais de mercado.
