As declarações do USTR Greer sinalizam uma estratégia de redução de dependência da China, com os EUA buscando fortalecer a posição em terras raras e apoiar uma maior participação em empresas nacionais. Em meio a tensões comerciais, Washington e aliadoss já sinalizam possível aumento de participação em companhias do setor para reativar cadeias críticas de suprimento.
Quais empresas contam com apoio dos EUA?
MP Materials (NYSE: MP) — negociando próximo de US$ 92,88 no pré-mercado. O Departamento de Defesa dos EUA (DoD) investiu US$ 400 milhões em ações preferenciais, tornando-se o maior acionista. Em 2022, a MP recebeu US$ 35 milhões do DoD para desenvolver capacidades de processamento de terras raras pesadas em Mountain Pass, Califórnia. Há também uma parceria público-privada com o DoD para construir uma cadeia ‘mina até ímã’ nos EUA, incluindo uma segunda unidade de fabricação de ímãs, a 10X Facility, além de apoio governamental para ampliar uma instalação de fabricação de ímãs no Texas. O DoD garantiu ainda um piso de preço para elementos-chave como NdPr sob um acordo de longo prazo.
Ucore Rare Metals (TSXV: UCU / OTCQX: UURAF) — negociando em torno de US$ 7,49. A MP recebeu US$ 18,4 milhões em um acordo de financiamento com o DoD para construir a instalação de separação de terras raras RapidSX™ em Louisiana, ampliando um projeto demonstrativo já existente (com US$ 4 milhões). O projeto recebeu prioridade sob o sistema DPAS (Defense Priorities & Allocation System), que concede prioridade em contratos de defesa.
Critical Metals (CRML) — negociando por volta de US$ 26,04 no pré-mercado. Embora não seja diretamente financiada com grandes aportes de capital pelo governo, assinou um acordo de fornecimento de 10 anos para entregar concentrado de terras raras pesadas a plantas de processamento financiadas pelo governo, como as instalações de Ucore. O apoio governamental ocorre mais por contratos de fornecimento do que por injeções de capital.
Outras apostas no setor
Lynas Rare Earths (ASX / OTC: LYC) — negociando por cerca de US$ 20,40. Uma das poucas grandes produtoras não chinesas com escala real, atua na Austrália e tem desenvolvido capacidade de separação (incluindo uma instalação nos EUA) para reduzir a dependência do processamento na China.
Energy Fuels (NYSEAMERICAN: UUUU / TSX: EFR) — Preço em torno de CAD$ 35,05 na bolsa de Toronto. Não é apenas terras raras, também atua no urânio, mas está avançando na separação de terras raras em sua usina White Mesa, contribuindo para o impulso de terras raras na América do Norte.
USA Rare Earth (USAR) — Negociando em torno de US$ 34,10 no pré-mercado. Um ativo mais especulativo, busca uma integração mine-to-magnet, formando cadeias domésticas e capacidade de ímãs nos EUA. Ainda não gera lucro consistente, apresentando maior risco, porém com alto potencial.
Todos esses nomes carregam riscos, mas as terras raras ganharam destaque diante de preocupações com o desacoplamento tecnológico. Embora haja cooperação em alguns setores, o cenário regulatório e a demanda atual influenciam fortemente as perspectivas de retorno.