Prévia do CPI alemão: inflação harmonizada deve subir 2,1% no ano em agosto

Destatis divulgará hoje a estimativa preliminar do Índice de Preços ao Consumidor Harmonizado (HICP) da Alemanha. O CPI anualizado deve avançar 2,1% em agosto, um pouco acima dos 2,0% registrados em julho. Em relação mensal, a inflação deve permanecer estável.

Essa leitura costuma sinalizar as leituras da zona do euro e ajuda o mercado a avaliar o caminho do BCE, cuja meta de inflação é de 2,0%.

O par EUR/USD tende a registrar volatilidade caso haja surpresas na divulgação alemã. Analistas destacam que o componente de energia tem papel central, com efeitos de base e reajustes nos preços de gás e eletricidade influenciando a direção da leitura.

O que esperar do relatório de agosto?

O CPI anual da Alemanha é esperado em 2,1% em agosto, acima de julho. O CPI mensal deve mostrar pouca ou nenhuma variação. Enquanto isso, o HICP pode subir para 2,0% na base anual, após 1,8% em julho. O núcleo permanece estável, sem o impulso visto no mês anterior.

Especialistas observam que julho veio abaixo das expectativas por efeito de arredondamento, e espera-se que agosto retome o ritmo em direção à meta, com a energia desacelerando e ajustes no gás e na energia elétrica contribuindo para a recuperação.

Além disso, dados regionais ajudam a calibrar a leitura nacional. Renânia do Norte-Vestfália, o estado mais populoso, costuma sinalizar a tendência para o conjunto do país, ainda que nem sempre funcione como indicador definitivo. A Espanha também divulgará seus números de inflação em agosto na sexta-feira, oferecendo mais pistas sobre a direção da inflação na Alemanha e na zona do euro.

Como isso pode afetar o EUR/USD?

Durante a coletiva após a reunião, a presidente do BCE, Christine Lagarde, ressaltou que os riscos para o crescimento permanecem inclinados a downside e que o cenário de inflação é mais incerto do que o usual. Com a proximidade de uma possível pausa no aperto, os dados do HICP alemão e da zona do euro serão decisivos para a percepção de cortes adicionais de juros.

Se os dados mostrarem inflação mais forte que a esperada, o BCE pode manter a pausa por mais tempo, o que pode sustentar uma demanda por EUR/USD até próximos de 1,1700. Caso a inflação recue, as esperançosas de afrouxamento podem ganhar tração, empurrando o par para perto de 1,1500.

Analistas da FXStreet destacam que o EUR/USD tem conseguido sustentar o suporte na média móvel de 21 dias, com o RSI em torno de 51, sugerindo viés positivo no curto prazo. Entre os níveis-chave estão 1,1574 como suporte imediato e 1,1700 como resistência, com potenciais testes em 1,1750 e 1,1789.