A prata (XAG/USD) estendeu sua alta na segunda-feira e negociava por volta de US$ 84,85 no momento da redação, com ganho de 5,60% no dia. O metal branco continuou seu impulso alcista, alcançando novos máximos de dois meses, apoiado pela forte demanda por refúgio seguro em meio a tensões geopolíticas crescentes no Oriente Médio.
O sentimento do mercado permanece dominado por preocupações com a guerra entre os Estados Unidos (EUA) e o Irã. O presidente Donald Trump rejeitou a última proposta de paz do Irã, chamando-a de “totalmente inaceitável”, enquanto as negociações sobre o Estreito de Ormuz permanecem paralisadas. Os temores de interrupções prolongadas nos fluxos globais de energia continuam a alimentar a volatilidade nos mercados de commodities e a apoiar ativos de refúgio seguro como a prata.
Ao mesmo tempo, o aumento dos preços da energia está revivendo as preocupações com a inflação e levando os investidores a precificarem um ambiente de taxas de juros mais altas por mais tempo. Dados divulgados na sexta-feira nos EUA reforçaram essa narrativa, após os Nonfarm Payrolls (NFP) aumentarem 115 mil em abril, bem acima das expectativas de mercado de 62 mil, enquanto a taxa de desemprego permaneceu estável em 4,3%.
Esses números dão ao Federal Reserve (Fed) maior margem para manter sua postura de política monetária restritiva. De acordo com a ferramenta CME FedWatch, os mercados agora veem apenas chances limitadas de cortes de juros no curto prazo, com alguns investidores até considerando a possibilidade de outro aumento de juros antes do final do ano.
Apesar desse ambiente normalmente pesar sobre ativos não remunerados, a prata continua a se beneficiar da forte demanda industrial. A demanda ligada a fotovoltaicos, semicondutores, infraestrutura de inteligência artificial e veículos elétricos permanece um grande impulso estrutural para o metal branco.
A demanda por investimento também permanece firme. Diversos analistas esperam que o mercado global de prata permaneça em déficit este ano, com a demanda industrial projetada para exceder a oferta disponível por mais um ano consecutivo.

