Por que os mercados de ações gostam dos dados econômicos de hoje

Dois pontos-chave que o mercado observa ao interpretar dados econômicos: existem dois aspectos centrais: 1) o que a autoridade monetária fará e 2) o que deveria fazer.

Normalmente, essas interpretações caminham juntas, mas nem sempre. A crescente politização da condução da política monetária deixa o mercado atento a cortes de juros que possam parecer precipitados agora ou no próximo ano.

Dados de hoje e a margem de manobra do Fed

Os dados de hoje indicam que o Fed pode ter mais espaço de manobra do que se imaginava. O índice de confiança do consumidor da Universidade de Michigan caiu, mas as expectativas de inflação futura recuaram significativamente: o ajuste de 1 ano caiu de 4,7% para 4,1% e o horizonte de 5 anos caiu de 3,6% para 3,2% – uma mudança relevante, possivelmente ligada aos preços da gasolina, porém sinalizando que os consumidores não esperam uma nova escalada de preços no próximo ano.

No que diz respeito à inflação efetiva, o relatório de PCE (despesas de consumo pessoal) de hoje ainda reflete números de setembro, em meio aos impactos do shutdown do governo dos EUA. A inflação subjacente ficou em 2,8% frente a 2,9% previamente (e 2,9% esperado). Ainda não está no alvo, mas é um passo na direção correta.

Cortes de juros e o caminho para 2026

Um corte de juros na próxima reunião continua precificado em cerca de 85% (deveria chegar a 100%), mas o mercado parece mais confiante com a perspectiva de mais 2 a 3 cortes durante 2026, apoiando o movimento mesmo diante de incertezas políticas. Se surgirem 4 a 5 cortes, isso mudaria a história — contudo esse cenário será avaliado conforme os dados evoluam.

O humor do mercado no curto prazo

Por ora, o momento é de ganhos moderados no mercado acionário, sem sinais de erro de política. O S&P 500 está em alta de cerca de 0,5%.