Estrategistas do OCBC, Sim Moh Siong e Christopher Wong, destacaram a recente decisão do Bangko Sentral ng Pilipinas (BSP) de elevar a taxa de juros em 25 pontos-base, atingindo 4,5%. A autoridade monetária sinalizou que novos ajustes podem ocorrer, dado que as projeções de inflação foram revisadas para cima e efeitos de segunda ordem começam a emergir.
Embora essa postura reduza o risco de o BSP ficar “atrás da curva” (behind the curve) e ofereça suporte relativo ao Peso filipino (PHP), a moeda continua exposta a choques nos preços de energia importada e à incerteza em torno das dinâmicas de cessar-fogo entre EUA e Irã.
Juros altos vs. vulnerabilidade energética
O BSP não descartou novas altas após a reunião do comitê de política monetária em 23 de abril. O conselho vê um risco crescente de desancoragem das expectativas inflacionárias, com a alta do petróleo e de fertilizantes já impactando os custos domésticos de combustíveis e alimentos, enquanto o núcleo da inflação (core inflation) segue em trajetória ascendente.
O presidente do banco central, Eli Remolona, afirmou que “uma vez iniciado o ciclo de alta, é provável que ele continue”, mencionando inclusive que um movimento de 50 bps chegou a ser discutido. Isso indica que o BSP não está apenas reagindo a choques externos, mas demonstra preocupação com a disseminação inflacionária na economia local.
Para o PHP, a mensagem é positiva em termos relativos, pois fortalece a credibilidade do banco central. Contudo, o impacto no mercado de câmbio pode ser limitado pela dependência das Filipinas de energia importada. Segundo o OCBC, até que haja clareza sobre acordos geopolíticos, o Peso poderá continuar sob pressão.
Níveis técnicos
Os riscos para o par permanecem levemente inclinados para cima. A resistência chave está em 60,83 (máxima histórica anterior), enquanto o suporte é observado em 60,15 (média móvel de 21 dias) e no patamar de 60,00, que representa o nível de 23,6% de retração de Fibonacci do rali de 2026.

