O West Texas Intermediate (WTI) negocia em torno de US$ 75,70 nesta quarta-feira, registrando uma perda de 0,22% no dia. Após quatro dias consecutivos de fortes quedas, o petróleo bruto dos EUA mostra sinais de estabilização, embora em leve baixa no momento da publicação, à medida que os investidores continuam a avaliar as implicações do iminente acordo EUA-Irã para as perspectivas de oferta global.
Os mercados permanecem focados no acordo interino esperado para ser assinado na Suíça na sexta-feira entre Washington e Teerã. O acordo deve abrir caminho para uma rápida retomada das exportações de petróleo iraniano e apoiar uma recuperação gradual dos fluxos de transporte pelo Estreito de Ormuz. Dados de navegação já indicam que vários petroleiros iranianos retomaram seus movimentos esta semana, reforçando as expectativas de aumento da oferta global nos próximos meses.
A perspectiva de melhora na oferta tem pressionado os benchmarks de petróleo bruto do Oriente Médio. O Dubai Crude recentemente entrou em contango pela primeira vez desde janeiro, enquanto os diferenciais spot de Oman e Murban também passaram para território de desconto. Essa mudança é geralmente vista como um sinal de condições de oferta mais confortáveis no curto prazo.
No entanto, vários observadores do mercado argumentam que uma normalização completa dos fluxos físicos pode levar mais tempo do que o esperado. Embora o progresso diplomático esteja gradualmente removendo o prêmio de risco geopolítico embutido nos preços do petróleo, a recuperação completa da atividade de navegação na região permanece incerta.
Analistas do Société Générale observam que o processo de normalização após o acordo EUA-Irã está se desenrolando de forma desigual entre diferentes indicadores de mercado. Segundo o banco, os preços do Brent, a volatilidade implícita e os mercados de opções não refletem o mesmo grau de normalização, sugerindo que os investidores continuam precificando riscos residuais.
Enquanto isso, o MUFG argumenta que o recente declínio nos preços do petróleo reduziu significativamente os riscos de inflação no curto prazo. O banco acredita que a forte queda nos preços do petróleo bruto pode proporcionar ao Federal Reserve (Fed) maior flexibilidade em suas decisões de política monetária, mesmo que os formuladores de políticas mantenham uma postura cautelosa sobre as perspectivas econômicas dos EUA.


