Petróleo: preços mais altos com interrupção prolongada no Golfo, aponta Rabobank

Resumo: Analistas do Rabobank observam que o Brent e o WTI sobem conforme o conflito no Oriente Médio se intensifica e o Estreito de Hormuz permanece praticamente fechado. A previsão é de que os fluxos globais retornem gradualmente, atingindo cerca de 80% dos níveis pré-guerra até agosto, com Brent perto de US$ 107/bbl no 2º trimestre de 2026, US$ 96/bbl no 3º e US$ 90/bbl no 4º, e WTI em US$ 98/bbl, 88/bbl e 83/bbl nesses mesmos trimestres.

Reprecificação de choques de oferta prolongados

Brent e WTI atingiram quase US$ 120 por barril em 19 de março, à medida que o conflito no Oriente Médio se intensificava e ataques a ativos energéticos se intensificavam. Embora os preços à vista tenham chegado próximo desse patamar, as cotações físicas já ultrapassaram, com o petróleo de Dubai chegando a mais de US$ 150–166 por barril. Os mercados estão recalibrando lentamente o risco de uma interrupção prolongada nos fluxos globais de energia.

Já havíamos sinalizado anteriormente que levaria meses para que os fluxos retornassem aos níveis pré-guerra caso o Estreito de Hormuz fosse reaberto. No momento, esse calendário foi adiado ainda mais, com a expectativa de que o estreito permaneça totalmente fechado até o fim de abril. O transporte irá voltar de forma gradual e estimamos que o fluxo de petróleo bruto e de produtos refinados alcance cerca de 80% dos níveis pré-guerra até agosto.

Estamos revisando para cima as projeções de Brent e WTI após uma deterioração significativa na perspectiva de retomada rápida dos fluxos de energia. Estimamos: Brent médio de US$ 107/bbl no 2º trimestre, US$ 96/bbl no 3º e US$ 90/bbl no 4º de 2026; a perspectiva para 2027 sobe para uma média de cerca de US$ 83/bbl, com uma ligeira redução para US$ 71,50/bbl em 2028. Para o WTI, as médias trimestrais são de US$ 98/bbl, US$ 88/bbl e US$ 83/bbl para 2026 no 2º, 3º e 4º trimestres, respectivamente, com uma projeção de US$ 77/bbl para 2027.

Há também o risco de novos ataques à infraestrutura energética na região do Golfo, que poderiam impor restrições de oferta duradouras e adicionar upside significativo aos preços do gás natural e do petróleo.