Petróleo dispara após Teerã recuar e Washington minimizar tensões

O petróleo bruto passou todo o mês de maio descartando o prêmio de risco de conflito, na suposição de que um acordo entre EUA e Irã era uma formalidade. Na segunda-feira, porém, o mercado recebeu um lembrete brusco de que nada foi assinado. O WTI abriu perto de US$ 88,00 — que serviu como mínimo do dia — e disparou para perto de US$ 93,00 antes de fechar próximo a US$ 91,00.

Quando Teerã puxou a alavanca que usa repetidamente, o mercado reprecificou o conflito que considerava superado. Ambas as capitais atuam para suas próprias audiências, e o mercado confunde a performance com progresso.

O Irã anunciou que interrompeu a troca de mensagens por mediadores e que “completamente” fecharia o Estreito de Ormuz. A informação veio por meio do veículo estatal Tasnim, sem atribuição a um oficial nomeado. O gatilho seria a operação israelense no Líbano contra o Hezbollah, com Teerã exigindo a retirada total de Israel antes de retomar diálogos.

Por trás da retórica, o memorando de entendimento ainda aguardava assinatura de Trump e do recém-empossado aiatolá Mojtaba Khamenei, que não aparece em público desde a posse. Washington endureceu nos últimos dias as condições sobre urânio enriquecido e o estreito. O acordo nunca esteve tão concluído quanto a ação de preços de maio sugeriu.

Do lado americano, Trump encerrou o bloqueio naval do estreito na sexta-feira, sinalizando desescalada. Na segunda, com a mídia iraniana afirmando que as conversas estavam encerradas, a Casa Branca insistiu que “negociações continuam em ritmo acelerado” e aconselhou a “relaxar, pois sempre dá certo”. Pressionado, ele afirmou que “está bem se eles pararam de conversar” e que os iranianos são “melhores negociadores do que lutadores”.

A contradição é que um lado sai publicamente enquanto o outro insiste que nada mudou. Quando as mensagens oficiais divergem tanto do que a contraparte afirma, o prêmio de risco de guerra pertence ao preço, não fora dele.

Outro ponto de estrangulamento foi mencionado: o Estreito de Bab el-Mandeb, onde forças alinhadas ao Irã já perturbaram o tráfego. A ameaça é reciclada desde a primavera sem execução em escala, e a combinação com Ormuz parece calibrada para manchetes. A aritmética, porém, dá peso: cerca de um quinto do petróleo global passa por Ormuz, e uma fatia significativa por Bab el-Mandeb.

No gráfico diário, o WTI recua para sua Média Móvel Exponencial de 50 dias (EMA) perto de US$ 92,00, pivo perdido no fim do mês, e fica bem acima da EMA de 200 dias, perto de US$ 77,50. O prêmio recuou dos máximos, mas não desapareceu, e o movimento de segunda-feira mostra como o mercado tenta reconstituí-lo rapidamente.

O salto relevante ocorreu na véspera da sessão americana, com o WTI acelerando de US$ 88,00 para US$ 93,00 com a manchete do Tasnim, depois recuando para perto de US$ 91,00. O Brent também subiu, para perto de US$ 97,00. Enquanto as conversas estiverem congeladas e a ameaça a Ormuz persistir, o viés é de alta, mas é uma fita de manchetes, não uma tendência.

A zona de US$ 92,00 a US$ 93,00, onde a EMA de 50 dias encontra o máximo do dia, é a barreira a ser rompida. Um fechamento diário acima disso indicaria que o mercado está reconstruindo o prêmio de guerra. No downside, US$ 88,00 é o primeiro suporte. A menos que uma interrupção concreta ocorra, o foco deve ser na diferença entre ameaça e evento — e até agora, ainda é ameaça.