Ouro se estabiliza em US$ 4.700, mas ruma para perda semanal com juros altos por mais tempo

O ouro (XAU/USD) apresenta estabilidade nesta sexta-feira, recuperando-se de mínimas intradiárias, mas permanece no caminho para fechar a semana com perdas. O sentimento do mercado é pressionado por ventos macroeconômicos contrários, especialmente as tensões persistentes no Oriente Médio, que mantêm os compradores cautelosos.

No momento da redação, o par XAU/USD é negociado em torno de US$ 4.709, após atingir uma mínima de US$ 4.657. O metal acumula uma queda de quase 2,5% na semana.

Geopolítica e inflação no radar

O recuo do metal precioso ocorre em meio ao impasse nas negociações entre EUA e Irã e à escalada de tensões no Estreito de Ormuz. Esse cenário impulsionou os preços do petróleo — com o WTI subindo mais de 10% na semana, perto de US$ 93 por barril — o que alimenta temores inflacionários.

Consequentemente, reforçam-se as expectativas de que o Federal Reserve (Fed) manterá as taxas de juros em patamares elevados por um período prolongado (higher-for-longer). O Índice Dólar (DXY) também ganhou tração, operando em máxima de uma semana, por volta de 98,57, enquanto os rendimentos dos Treasuries se firmaram diante da menor probabilidade de cortes de juros no curto prazo.

Embora o presidente Donald Trump tenha anunciado uma extensão de cessar-fogo, o impasse sobre o bloqueio naval no Estreito de Ormuz continua pesando no sentimento de risco. Trump sinalizou que não há pressa para um acordo, alertando que a opção militar permanece sobre a mesa caso as negociações não avancem.

Análise Técnica: Viés de baixa persiste

No gráfico de 4 horas, o XAU/USD mantém um viés de baixa no curto prazo, negociado abaixo de um importante cluster de médias móveis. A Média Móvel Simples (SMA) de 100 períodos em US$ 4.748 e a SMA de 200 em US$ 4.747, juntamente com a SMA de 50 em US$ 4.775, formam uma zona de resistência robusta.

Os indicadores de momentum corroboram essa visão: o Índice de Força Relativa (RSI) flutua próximo de 44, em território levemente negativo, enquanto o histograma do MACD permanece abaixo da linha zero, indicando que a pressão vendedora, embora moderada, ainda persiste.

Qualquer tentativa de recuperação deve encontrar resistência significativa entre US$ 4.750 e US$ 4.775. No suporte, a zona entre US$ 4.700 e US$ 4.650 é crucial; um rompimento abaixo desse nível pode abrir espaço para correções mais profundas.