O preço do ouro (XAU/USD) avançou cerca de 0,63% nesta terça-feira, com o petróleo recuando das máximas diárias diante de rumores sobre o rompimento das negociações entre EUA e Irã, desmentidos pela imprensa iraniana. No entanto, temores aumentam conforme o prazo do presidente norte-americano para reabrir o Estreito de Hormuz se aproxima, com os investidores esperando um possível acordo antes de novas ações contra instalações iranianas.
Ouro se mantém firme diante de manchetes mistas sobre o Irã
O XAU/USD opera em torno de US$ 4.678, após recuperar de mínimas do dia em 4.607, impulsionado por um dólar mais fraco, conforme o DXY cai 0,17% para 99,82.
A imprensa aponta sinais conflitantes sobre o conflito no Oriente Médio, alimentando a demanda por refúgio. A Tehran Times negou relatos de interrupção nas negociações diplomáticas, embora o Wall Street Journal indique que as duas partes continuam firmes em suas posições.
Até o momento, ataques de EUA, Israel e Irã se intensificaram, com o prazo de Trump se aproximando do horário de 20h ET desta terça-feira. Embora tenha havido algum avanço nas negociações nas últimas 24 horas, a possibilidade de um cessar-fogo parece improvável, segundo Axios, citando autoridades dos EUA e de Israel. A CNN informou que a linha de prontidão das forças israelenses permanece elevada, em preparação para possíveis ataques, antes do prazo de Trump para reabrir o estreito.
Política da Fed não busca agradar ao Presidente
Funcionários do Federal Reserve, liderados por Austan Goolsbee (Fed de Chicago) e John Williams (Fed de Nova York), sinalizaram que o objetivo não é agradar o mercado de ações nem o presidente. Goolsbee alertou que reduzir a independência do banco central pode elevar a inflação.
Williams afirmou que o choque de energia decorrente do conflito no Oriente Médio provavelmente impulsionará a inflação, mantendo-a pressionada até meados do ano, em torno de 2,75% ao ano, enquanto a política monetária permanece em nível adequado.
Dados dos EUA mostraram que as encomendas de bens duráveis recuaram 1,4% em fevereiro, a terceira queda consecutiva e abaixo das expectativas. Em contrapartida, itens de núcleo mostraram alta de 0,8% mensal.
A pesquisa de inflação da New York Fed indicou que as expectativas de inflação subiram em março, com a projeção de 1 ano em 3,4%, enquanto as expectativas de médio e longo prazo permaneceram estáveis.
Com isso, os operadores não esperam mais cortes do Fed em 2026. Os mercados projetam que as taxas de juros permaneçam estáveis ao longo do ano, de acordo com dados da Prime Market.
Probabilidades de a taxa de juros do Fed
Nesta semana, os investidores ficarão atentos a discursos de autoridades da Fed, às atas da última reunião do FOMC, a dados de crescimento, pedidos de seguro-desemprego e números de inflação.
Análise técnica do XAU/USD: ouro recua de 4.700, vendedores miram a SMA de 100 dias
A leitura técnica indica que o ouro está oscilando entre suporte e resistência, com suporte-chave na média móvel de 100 dias em US$ 4.644 e resistência imediata na média móvel de 20 dias em US$ 4.731. O momentum sugere equilíbrio entre compradores e vendedores, conforme o RSI.
Para avançar, o ouro precisa superar US$ 4.700, seguido pela SMA de 20 dias em US$ 4.731. Ultrapassando esse patamar, pode-se mirar a SMA de 50 dias em US$ 4.937. Por outro lado, manter-se abaixo de US$ 4.700 coloca o primeiro suporte em US$ 4.600, seguido pela mínima diária de 2 de abril em US$ 4.553 e, depois, US$ 4.500.
Próximos dias, atenção para discursos de autoridades da Fed, atas da última reunião, dados de crescimento e inflação.