O ouro (XAU/USD) opera em leve alta nesta quinta-feira, registrando 0,25% de ganho após dados de emprego nos EUA apresentarem solidez, enquanto o déficit comercial atingiu o maior nível desde o “Dia da Libertação” do presidente Donald Trump. Além disso, a queda nos rendimentos dos Treasuries americanos e a ação contida dos preços, com investidores atentos ao discurso do presidente do Federal Reserve (Fed), Kevin Warsh, mantêm o metal precioso próximo aos seus níveis habituais. O XAU/USD é negociado a US$ 4.610 no momento da escrita.
O metal amarelo retomou sua tendência de alta nesta quinta-feira, mesmo com o relatório de pedidos de auxílio-desemprego nos EUA vindo melhor que o esperado, indicando um mercado de trabalho forte. O número de americanos entrando com pedido de auxílio-desemprego caiu de 207 mil para 203 mil na última semana, abaixo das previsões de 208 mil, de acordo com o Departamento do Trabalho dos EUA.
Ao mesmo tempo, o déficit comercial dos EUA aumentou de US$ 102,1 bilhões para US$ 118,8 bilhões em julho, segundo o U.S. Census Bureau.
Vale notar que o ouro mal reagiu às declarações hawkish de dirigentes do Federal Reserve presentes no Simpósio de Jackson Hole.
Beth Hammack, do Fed de Cleveland, afirmou que “agora é a hora de agir, dada a persistência da inflação”. Anteriormente, Jeffrey Schmid, do Fed de Kansas City, descreveu a inflação como “ainda teimosa” e “ainda pegajosa”, enquanto Austan Goolsbee, do Fed de Chicago, também disse que a inflação é sua principal preocupação.
Fora isso, o foco se volta para o presidente do Fed, Kevin Warsh. Traders devem lembrar que ele é contra o forward guidance, embora quaisquer comentários sobre a economia possam indicar o futuro caminho das taxas de juros.
No momento da escrita, os mercados de dinheiro esperam que o Fed mantenha as taxas inalteradas na reunião de 16 de setembro, com chances de 68%. No entanto, para a reunião de dezembro, os traders esperam um aumento da taxa, com chances de 72%, de acordo com o Prime Terminal.
O US Dollar Index (DXY), que acompanha o desempenho do dólar contra seis moedas, permanece estável em 99,14 após dados fortes divulgados nos últimos dois dias.
O Greenback recuperou parte do terreno, pois dados recentes do Core PCE dos EUA mostram que a inflação permanece mais persistente do que o esperado e longe de atingir a meta de 2% do Federal Reserve.
Na sexta-feira, o calendário econômico dos EUA, além de apresentar Warsh, também inclui os dados de sentimento do consumidor da Universidade de Michigan e a revisão do benchmark Nonfarm Payrolls.
Análise técnica do XAU/USD: Ouro recupera US$ 4.600, mas se prepara para consolidação
O ouro subiu acima de US$ 4.600, mas ainda está longe de um rompimento decisivo. O momentum, embora altista, não está conseguindo impulsionar o metal amarelo para testar novamente as máximas semanais perto de US$ 4.697, como indicado pelo Índice de Força Relativa (RSI). Dado o cenário, mais ação lateral está por vir, enquanto os traders permanecem incertos sobre a direção do Bullion.
Na alta, a primeira resistência chave é o nível psicológico de US$ 4.650. Acima disso, o próximo teto é US$ 4.700, antes que os compradores levem o XAU/USD ao pico de 7 de maio em US$ 4.764.
Na baixa, o primeiro suporte do bullion é US$ 4.600. Uma violação deste último exporia a mínima diária de 24 de agosto em US$ 4.594. Se o XAU/USD atingir um fechamento diário abaixo deste último, isso abrirá caminho para um movimento até a Média Móvel Simples (SMA) de 200 dias em US$ 4.376. Antes de desafiar o fundo de oscilação de 19 de agosto em US$ 4.324 e US$ 4.300.
Perguntas Frequentes sobre Ouro
Por que as pessoas investem em Ouro?
O ouro desempenhou um papel fundamental na história humana, sendo amplamente utilizado como reserva de valor e meio de troca. Atualmente, além de seu brilho e uso em joias, o metal precioso é visto como um ativo de refúgio seguro (safe-haven), o que significa que é considerado um bom investimento em tempos turbulentos. O ouro também é amplamente visto como uma proteção contra a inflação e contra a depreciação de moedas, pois não depende de nenhum emissor ou governo específico.
Quem compra mais Ouro?
Os bancos centrais são os maiores detentores de ouro. Em seu objetivo de apoiar suas moedas em tempos turbulentos, os bancos centrais tendem a diversificar suas reservas e comprar ouro para melhorar a força percebida da economia e da moeda. Altas reservas de ouro podem ser uma fonte de confiança na solvência de um país. Os bancos centrais adicionaram 1.136 toneladas de ouro no valor de cerca de US$ 70 bilhões às suas reservas em 2022, de acordo com dados do World Gold Council. Esta é a maior compra anual desde o início dos registros. Bancos centrais de economias emergentes, como China, Índia e Turquia, estão aumentando rapidamente suas reservas de ouro.
Como o Ouro se correlaciona com outros ativos?
O ouro tem uma correlação inversa com o Dólar Americano e os Títulos do Tesouro Americano, que são ambos importantes ativos de reserva e refúgio seguro. Quando o dólar se deprecia, o ouro tende a subir, permitindo que investidores e bancos centrais diversifiquem seus ativos em tempos turbulentos. O ouro também é inversamente correlacionado com ativos de risco. Uma alta no mercado de ações tende a enfraquecer o preço do ouro, enquanto quedas em mercados mais arriscados tendem a favorecer o metal precioso.
Do que depende o preço do Ouro?
O preço pode variar devido a uma ampla gama de fatores. Instabilidade geopolítica ou temores de uma recessão profunda podem rapidamente fazer o preço do ouro disparar devido ao seu status de refúgio seguro. Como um ativo sem rendimento, o ouro tende a subir com taxas de juros mais baixas, enquanto o custo mais alto do dinheiro geralmente pesa sobre o metal amarelo. Ainda assim, a maioria dos movimentos depende de como o Dólar Americano (USD) se comporta, já que o ativo é precificado em dólares (XAU/USD). Um dólar forte tende a manter o preço do ouro controlado, enquanto um dólar mais fraco provavelmente impulsionará os preços do ouro para cima.


