Ouro dispara para o maior patamar em mais de quatro meses com apostas de cortes do Fed, dólar fraco e tensões geopolíticas

  • O ouro mantém a tendência de alta, voltando a se aproximar de recordes históricos.
  • A expectativa de cortes de juros pelo Fed mantém o dólar em baixa e favorece o metal sem rendimento.
  • A escalada de tensões geopolíticas também sustenta o movimento de alta do XAU/USD.

O ouro (XAU/USD) demonstra força logo no começo da semana, registrando o sexto dia consecutivo de ganhos em sete, ao atingir a faixa de US$3.486, o maior nível desde 22 de abril, durante a sessão asiática. Dados de inflação dos EUA divulgados na sexta-feira não abalaram as expectativas de que o Fed reduzirá as taxas ainda neste mês, o que continua beneficiando o metal precioso.

Além disso, preocupações crescentes com a independência do Fed mantêm o dólar americano pressionado, servindo como impulso adicional para o ouro. A escalada de tensões geopolíticas também colabora com o momento positivo, favorecendo os touros de XAU/USD. Os investidores aguardam os principais dados macro dos EUA no início do mês para sinalizar o caminho dos cortes de juros e influenciar a commodity.

Resumo diário: o ouro mantém o controle em meio ao dólar fraco e a busca por proteção global

  • O Departamento de Comércio dos EUA informou na sexta-feira que o Índice de Preços de Despesas com Consumo PCE desacelerou para 2,6% em julho. Além disso, o núcleo do PCE, que exclui alimentos e energia voláteis, avançou para 2,9% em julho, ante 2,8% de junho, alinhando-se às estimativas.
  • Os dados reforçam a probabilidade de que o Fed reduza as taxas ainda este mês. Segundo a CME FedWatch, há uma probabilidade de cerca de 87% de cortes de 25 pontos-base no fim da reunião de dois dias em setembro, com pelo menos dois cortes até o final do ano.
  • O presidente dos EUA, em meio a controvérsias, citou preocupações com governança do Fed, envolvendo figuras-chave e o futuro da independência da autoridade monetária.
  • No front geopolítico, a Rússia realizou ataques a cidades ucranianas e lançou dezenas de drones e mísseis, aumentando a tensão regional. A Ucrânia prometeu responder com ações dentro do território russo.
  • Enquanto isso, forças israelenses intensificaram ações na Faixa de Gaza, elevando as tensões na região. Tais acontecimentos mantêm o cenário instável para o ouro, que se beneficia como ativo de proteção.
  • Os mercados dos EUA estarão fechados na segunda-feira devido ao Dia do Trabalho. Traders podem evitar apostas agressivas antes de dados macro importantes, como o relatório de empregos de agosto.

O ouro pode subir ainda mais, mantendo-se acima de 3.440 dólares

Tecnicamente, a ruptura na sexta-feira acima da zona de oferta de 3.440, que marca o limite superior de um intervalo de negociação de mais de três meses, foi vista como gatilho recente para os touros do XAU/USD. Além disso, os osciladores do gráfico diário mostram impulso positivo, apoiando a continuidade da valorização. No entanto, o RSI diário indica que o ouro pode entrar em território de sobrecompra em torno de 3.500, sugerindo uma pausa breve pelo patamar psicológico.

Por outro lado, qualquer recuo corretivo pode encontrar suporte próximo da resistência em 3.440. Quaisquer novas quedas devem encontrar base próxima a 3.400, o que poderia sustentar uma posição de compra. Esse patamar deve funcionar como base de curto prazo para o ouro, que, se rompido com força, pode abrir espaço para perdas mais profundas. O XAU/USD poderia recuar rumo a 3.372 como suporte intermediário, em direção à região de 3.350.

Perguntas frequentes sobre Ouro

O Ouro desempenha um papel histórico como reserva de valor e meio de troca. Além de seu brilho em joias, é amplamente visto como ativo de proteção, útil em tempos incertos. O metal também é considerado uma proteção contra inflação e contra a desvalorização de moedas, por não depender de um único emissor.

Bancos centrais possuem as maiores reservas de Ouro. Em momentos de turbulência, eles tendem a diversificar e adquirir Ouro para reforçar a solidez percebida de suas economias. Em 2022, bancos centrais adicionaram 1.136 toneladas de Ouro, um recorde histórico, segundo o World Gold Council. Países emergentes como China, Índia e Turquia têm aumentado rapidamente suas reservas.

O Ouro tende a ter correlação inversa com o Dólar Americano e com os Títulos do Tesouro dos EUA. Quando o Dólar se enfraquece, o Ouro costuma subir, ajudando bancos centrais a diversificar seus portfólios. Também costuma se mover de forma inversa a ativos de risco. Rally no mercado acionário tende a enfraquecer o Ouro, enquanto quedas em mercados de maior risco favorecem o metal.

O preço pode se mover por uma série de fatores. Instabilidade geopolítica ou temores de recessão podem levar a uma alta rápida do Ouro devido à sua condição de proteção. Como ativo sem rendimento, o Ouro tende a subir com cortes mais baixos de juros, enquanto custos maiores de dinheiro costumam pressionar o metal. Ainda assim, a maior parte das oscilações depende do comportamento do Dólar americano (USD). Um Dólar forte tende a manter o preço do Ouro contido, enquanto um dólar mais fraco tende a impulsionar os preços.