Ouro sobe com cessar-fogo EUA-Irã, dólar mais fraco e petróleo ajudam

Ouro (XAU/USD) avançou nesta quarta-feira, mas recuou da máxima de três semanas atingida no começo do pregão, operando por volta de US$ 4.735, com alta de cerca de 0,7%.

Panorama de risco e inflação

As negociações entre os EUA e o Irã resultaram em um cessar-fogo de duas semanas, com delegações marcando novas reuniões no Paquistão na sexta-feira. O presidente dos EUA afirmou que o acordo fica condicionado à reabertura do Estreito de Hormuz e disse ter atingido objetivos militares, citando uma proposta de 10 pontos de Teerã como base para futuras negociações.

Enquanto isso, as tensões no Oriente Médio permanecem elevadas, com ataques entre Israel e Irã e relatos de danos a instalações de energia na região. Um alto funcionário iraniano disse que a passagem de petroleiros pelo Estreito de Hormuz pode reabrir na quinta ou sexta-feira, caso haja um marco de cessar-fogo aceito.

O humor do mercado melhorou com o anúncio da trégua, pressionando o petróleo WTI para baixo, que caiu quase 14% e ficou abaixo de US$ 95 por barril. O índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de moedas, caiu cerca de 0,6%, para 98,91.

Os bancos centrais globais têm reduzido as preocupações com uma segunda onda de inflação associada ao choque energético, o que influenciou as expectativas de política monetária. Antes da trégua, o Fed era visto mantendo as taxas, mas o mercado já precifica quase 10 pontos-base de cortes até o fim do ano, segundo o Prime Market Terminal.

Perspectivas de juros do Federal Reserve

Entre os próximos dados, estão os pedidos de auxílio-desemprego da semana anterior, a leitura final do PIB do 4º trimestre de 2025 e o Core PCE, índice de inflação monitorado pelo Fed.

Do ponto de vista técnico, o cenário para o XAU/USD permanece com viés de alta, porém um fechamento diário abaixo da média móvel simples de 50 dias, em torno de US$ 4.779, abriria espaço para recuo rumo à US$ 4.723, próximo nível de suporte. Quedas abaixo de US$ 4.700 poderiam levar o ouro até a região de US$ 4.620, antes de testar o mínimo diário de 2 de abril, em US$ 4.554.

Em resumo, o ouro continua atraente como ativo de refúgio em cenários de incerteza, mas a direção dependerá do fluxo de notícias geopolíticas, da evolução do petróleo e dos dados econômicos globais.