Ouro perde momentum em meio ao aumento de juros e ao dólar americano forte

O ouro (XAU/USD) enfrenta dificuldade para ampliar ganhos nesta sexta-feira, diante de manchetes geopolíticas que alimentam a volatilidade nos mercados globais entre EUA, Israel e Irã. No momento da atualização, o XAU/USD operava próximo de US$ 4.430, após tocar máxima intradiária de cerca de US$ 4.475 durante a sessão europeia.

Trump faz pausa em ataques ao Irã, mas incertezas permanecem

Os ganhos iniciais surgiram com o anúncio de atraso nos ataques planejados contra infraestrutura de energia iraniana. O prazo, que venceria nesta sexta, foi estendido por mais 10 dias. Em postagem, Trump afirmou que, “a pedido do governo iraniano”, os ataques seriam pausados até 6 de abril de 2026, às 20h, horário de verão, e que negociações continuam.

Apesar da pausa, o mercado não ficou mais tranquilo. Embora o adiamento reduza parte do risco imediato, ele deixa dúvidas sobre um caminho claro para a resolução, especialmente enquanto o Irã resiste às negociações. Além disso, o Pentágono estaria considerando enviar mais 10 mil soldados para o Oriente Médio, mantendo vivo o risco de escalada caso não haja acordo.

Medo inflacionário ligado ao petróleo redefine expectativas de juros

O Estreito de Hormuz continua central no conflito e permanece com restrições significativas, sustentando preços elevados do petróleo. Nesse contexto, o ouro atua mais como ativo sensível a juros do que como tradicional refúgio, já que riscos inflacionários ligados ao petróleo levam investidores a precificar potenciais altas de juros em bancos centrais importantes, como a Fed, o BCE e o BoE.

Segundo a CME FedWatch, o mercado não espera cortes de juros neste ano, com cerca de 50% de probabilidade de custos de empréstimos mais altos até o fim de 2026, em comparação com as 2-3 quedas previstas antes do conflito EUA-Iran.

Dólar firme e rendimentos em alta pressionam o ouro

Um reajuste hawkish das expectativas de juros está empurrando os rendimentos dos Treasuries para cima, com o rendimento de 10 anos em torno de 4,45%, o maior nível desde julho de 2025. Isso aumenta o custo de oportunidade de manter ativos sem rendimento. Simultaneamente, o dólar permanece firme, refletindo seu papel de moeda de reserva mundial e pressionando o ouro. Como petróleo e ouro são cotados em dólares, a alta do petróleo tende a sustentar o verde, tornando o metal mais caro para compradores que usam outras moedas.

Olhar para frente envolve dados de confiança do consumidor de março, além de expectativas de inflação. Discursos de autoridades do Fed, como o presidente do Fed de Richmond Tom Barkin, a presidente do Fed de Filadélfia Anna Paulson e a presidente do Fed de San Francisco Mary Daly, serão observados para indicar o caminho da política monetária.

Análise técnica: pressão de baixa persiste abaixo de resistência-chave

Do ponto de vista técnico, o XAU/USD mostra sinais de estabilização após recuar para patamares próximos de US$ 4.100 no começo da semana. O curto prazo mantém viés de baixa, com o preço operando abaixo de médias móveis relevantes no gráfico de 1 hora e no diário.

No gráfico de 4 horas, a estrutura permanece de baixa, com o preço abaixo das médias de 50 e 100 períodos, ambas com inclinação descendente, indicando pressão de venda contínua.

O RSI fica na faixa de 40, sugerindo que a pressão de venda continua, mas não acelerada. O MACD fica em território positivo, com a linha MACD acima da de sinal, sugerindo uma recuperação corretiva dentro de uma tendência de baixa mais ampla, não uma mudança de tendência abrupta.

À frente, a resistência imediata fica em torno da média móvel de 50 períodos, por volta de US$ 4.579, seguida pela média de 100 períodos em torno de US$ 4.842. O suporte inicial aparece próximo a US$ 4.300, com a mínima da semana perto de US$ 4.098 como próximo patamar a monitorar.