Ouro se aproxima de US$ 4.800 com dólar fraco impulsionando o ouro pelo quarto dia

Ouro (XAU/USD) avançou pela quarta sessão consecutiva nesta quarta-feira, atingindo patamar próximo de US$ 4.800 por onça, com o dólar em baixa diante de sinais de possível desfecho no Oriente Médio. Atualmente, o par XAU/USD opera em torno de US$ 4.758, com alta de quase 2%.

Expectativas de trégua e dados dos EUA guiam o mercado

Incertezas sobre o desfecho do conflito no Oriente Médio seguem impulsionando o metal, mantendo ganhos semanais próximos de 6%. Enquanto algumas manchetes citam um possível fim do confronto, outras indicam a continuidade do conflito. Em entrevistas, autoridades sinalizam caminhos mistos, mantendo o tom cauteloso sobre a capacidade de encerrar tensões rapidamente.

Paralelamente, dados econômicos dos EUA mostraram que a atividade empresarial permanece firme e o mercado de trabalho continua resiliente. O ISM Manufacturing PMI de março superou expectativas, subindo para 52,7, sinalizando crescimento robusto, mesmo com preços em alta. O Índice de Pagamento de Preços atingiu quase o nível mais alto em quase quatro anos, em 78,3.

As estatísticas de emprego da ADP para março mostraram ganho de 62 mil vagas, um pouco abaixo de fevereiro, porém acima do previsto. As Vendas no Varejo subiram 0,6% na base mensal em fevereiro, o maior ganho em sete meses após a revisão de janeiro.

Discursos do Federal Reserve não promoveram uma virada no dólar, apesar de dados que sugerem recuperação. O presidente do Fed de Richmond destacou choques energéticos como temporários, mas ressaltou que aumentos de juros podem ser necessários se as expectativas de inflação subirem. Já o Fed de St. Louis aponta que a política atual permanece adequada frente a incertezas e não vê motivo imediato para alterar as taxas, embora destaque riscos inflacionários vindos de tensões no Oriente Médio.

À frente, o índice GDPNow do Fed de Atlanta revisou a projeção para o primeiro trimestre de 2026 para baixo, de 2% para 1,9%, de acordo com o último dado econômico.

Para esta semana, o calendário econômico dos EUA prevê novos dados sobre solicitações iniciais de auxílio-desemprego na quinta-feira, seguidos do relatório de Nonfarm Payroll na sexta-feira, com expectativa de criação de cerca de 60 mil empregos, melhoria em relação a fevereiro.

Com esse pano de fundo, as perspectivas para o ouro indicam continuidade de alta, embora uma de-escalada do conflito e menores preços de energia possam pressionar o metal. Manter as taxas de juros elevadas também seria um obstáculo para o bullion.

Perspectiva técnica: rompendo a média móvel de 100 dias e próximos alvos

O ouro mantém viés de alta, tendo rompido a média móvel simples de 100 dias em torno de US$ 4.625, abrindo caminho para a próxima resistência na média móvel de 20 dias, em US$ 4.802. O momentum permanece favorável, com o RSI apontando para uma virada esperada para o lado positivo.

Se ultrapassar a região de US$ 4.800, o próximo teto reside em US$ 4.900, seguido pela SMA de 50 dias em US$ 4.952. Por outro lado, uma falha nesta barreira pode levar a uma revisita de US$ 4.700, antes da SMA de 100 dias em US$ 4.625. Em cenários de fraqueza adicional, o ponto de giro de 26 de março por volta de US$ 4.351 volta à tona.