Ouro próximo do topo de quatro semanas impulsionado por diplomacia com o Irã e apostas em cortes do Fed

Ouro (XAU/USD) atrai compradores na sessão asiática de quinta-feira, rebatendo grande parte da retração de ontem de uma alta próxima de quatro semanas.

Investidores buscam ativos de maior risco enquanto as perspectivas de diplomacia com o Irã permanecem abertas, o que pode enfraquecer o dólar e beneficiar o metal.

Além disso, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse acreditar que a guerra com o Irã pode estar chegando ao fim, e a Casa Branca se mostra otimista quanto a um acordo para encerrar o conflito. Há relatos de avanços para uma segunda rodada de negociações entre EUA e Irã em poucos dias. Esse otimismo sustenta o humor do mercado e reduz a demanda por ativos de refúgio.

Outro fator é a menor inclinação do Fed para elevar as taxas, contribuindo para o sentimento de baixa do USD e para sustentar o ouro sem rendimento.

As expectativas sobre esforços diplomáticos mantêm os preços do petróleo próximos de uma baixa de três semanas. O PPI dos EUA divulgado no início da semana amenizou as preocupações sobre inflação provocada pela alta de energia e moderou as apostas de aperto do Fed. Segundo a ferramenta FedWatch da CME Group, o cenário de cortes em 2026 permanece prioritário.

Enquanto isso, a atuação naval dos EUA contra portos iranianos foi implementada, e o líder do comando militar conjunto do Irã advertiu que poderia interromper o comércio na região caso o bloqueio não seja suspenso. O Irã também solicitou o fim dos ataques israelenses ao Líbano como condição para novas negociações; o primeiro-ministro de Israel indicou que não comprometeu cessar-fogo, ordenando reforçar a zona de segurança. Esses fatores mantêm riscos geopolíticos e devem limitar as perdas do dólar, ao mesmo tempo em que restringem ganhos do ouro.

Gráfico XAU/USD em 4 horas

O par XAU/USD segue pouco acima da média móvel simples de 200 períodos, em US$ 4.831,22, que atua como resistência imediata, enquanto o MACD permanece positivo e o RSI oscila próximo a 60, sugerindo momentum bullish firme, ainda que contido pela resistência.

Assim, recomenda-se aguardar confirmação de força acima da barreira da 200-SMA para mirar em eventuais ganhos para US$ 4.916,20 (61,8% de retração de Fibonacci da queda de março). Um rompimento acima desse nível abriria o caminho para as áreas de alta em torno de US$ 5.136,01 e, posteriormente, ao redor de US$ 5.416,01.

No lado oposto, o primeiro suporte fica alinhado com a retração de 50% em US$ 4.761,81, com camadas adicionais de demanda em US$ 4.607,41 (38,2% de Fibonacci) e US$ 4.416,39 (23,6% de Fibonacci). Esses níveis podem atuar se os vendedores retomarem o controle abaixo da consolidação atual.