Ouro permanece contido, enquanto sinais mistos entre EUA e Irã mantêm investidores cautelosos

O ouro (XAU/USD) opera em tom contido nesta terça-feira, sem conseguir sustentar a recuperação da sessão anterior, enquanto investidores avaliam desenvolvimentos geopolíticos no Oriente Médio diante de sinais conflitantes entre EUA e Irã sobre possíveis negociações.

No momento da redação, o XAU/USD fica em torno de US$ 4.428, após tocar uma mínima intradiária de US$ 4.306.

Na segunda-feira, o presidente norte-americano Donald Trump adiou ataques programados contra infraestrutura energética iraniana por cinco dias, citando discussões construtivas entre EUA e Irã. A medida elevou o sentimento de mercado, criando expectativas de que uma solução pode ser alcançada em breve e ajudando o Ouro a se recuperar de mínimas do ano perto de US$ 4.098.

No entanto, a recuperação não ganhou impulso de compra significativa, com autoridades iranianas negando negociações, o que deixa os investidores cautelosos quanto a um conflito prolongado.

Inflação impulsionada pelo petróleo e perspectiva de juros ofuscam a demanda por proteção

À medida que o conflito persiste no Oriente Médio e o Estreito de Hormuz permanece essencialmente fechado, a ação de preço do metal continuará sendo influenciada pelos riscos inflacionários ligados ao petróleo e pela narrativa de juros globais em patamar elevado por mais tempo, ofuscando seu apelo como ativo de refúgio.

Os mercados já precificaram amplamente cortes da Fed para este ano e passam a esperar que a autoridade mantenha as taxas inalteradas até 2026.

Para o Ouro, isso cria um cenário desafiador. Embora o metal seja tradicionalmente visto como proteção contra a inflação, o reaquecimento de preços elevou os rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA e manteve o dólar americano amplamente sólido, pesando sobre o ativo que não rende juros.

Simultaneamente, como petróleo e ouro são precificados em USD, preços elevados do crude ajudam indiretamente a sustentar a demanda pelo Greenback, adicionando pressão adicional sobre o metal precioso.

Entrementes, traders estão aumentando a liquidez vendendo ativos em geral, como mostra a pressão persistente nas ações globais desde o agravamento do conflito, com o ouro também sendo vendido para atender chamadas de margem, reduzir a exposição ao risco e preservar capital em meio a maior volatilidade.

À frente, o calendário econômico dos EUA traz dados preliminares do PMI da S&P Global, que devem ser divulgados ainda na sessão de negociação americana, oferecendo sinais iniciais sobre o impacto da guerra no Oriente Médio na atividade empresarial.

Análise técnica: vendedores no controle abaixo de médias móveis importantes

No gráfico de 4 horas, o viés de curto prazo permanece baixista, já que o preço opera bem abaixo das médias móveis simples de 50 e 100 períodos, sinalizando pressão de venda contínua.

O RSI em 39 segue abaixo da linha central de 50, indicando que os vendedores ainda mantêm o impulso, apesar da recuperação modesta após sobrevender.

O MACD virou-se para cima, com a linha MACD cruzando acima da linha de sinal e o histograma passando para território positivo, sugerindo que o momentum de baixa está diminuindo, mas ainda não reverte, deixando os vendedores em vantagem enquanto ocorre uma correção de alta.

No lado positivo, a resistência imediata fica na faixa de US$ 4.450-US$ 4.500, com barreiras mais fortes na MMA de 50 dias por volta de US$ 4.795 e na MMA de 100 dias em US$ 4.983, pouco abaixo de US$ 5.000.

No lado negativo, o suporte inicial fica em US$ 4.300, seguido por US$ 4.098, onde compradores de quedas podem entrar, embora uma queda sustentada abaixo desse nível possa abrir portas para mais quedas.

Com a presença de dados, a próxima leitura relevante virá de indicadores de atividade empresarial que podem confirmar o efeito da tensão geopolítica na economia.