Ouro: Riscos de inflação e postura do Fed limitam ganhos, diz ING

Os estrategistas do ING, Warren Patterson e Ewa Manthey, afirmam que a alta nos preços do petróleo e do gás está revivendo as preocupações com a inflação, atuando como um obstáculo de curto prazo para o ouro, mesmo com os riscos geopolíticos sustentando a demanda por ativos de segurança.

Eles preveem que o potencial de alta será limitado no curto prazo, com a volatilidade impulsionada pelos sinais do Federal Reserve (Fed), pelos real yields e pelas tensões contínuas no Oriente Médio.

Sinais de inflação e do Fed pesam sobre o metal

“O ouro iniciou a semana com um tom mais fraco, à medida que os preços mais elevados da energia reacenderam os temores inflacionários. Os riscos de interrupção no Estreito de Ormuz mantêm os mercados de commodities energéticas sustentados, reforçando as expectativas de inflação e agindo como um headwind para o metal precioso”, observam os analistas.

Embora as cotações tenham recuperado parte das perdas geradas pelo conflito, o ouro ainda é negociado cerca de 8% abaixo dos níveis pré-conflito, após vendas anteriores motivadas por liquidez.

O ING vê esse cenário limitando o upside no curto prazo, embora os riscos de queda pareçam contidos. As tensões geopolíticas elevadas e a incerteza persistente em Ormuz devem continuar servindo de suporte para a demanda por haven assets.

Agora, as atenções se voltam para a audiência de confirmação de Kevin Warsh no Senado dos EUA, indicado para presidir o Federal Reserve. Qualquer sinalização hawkish (rigorosa com a inflação) pode adicionar pressão negativa sobre o ouro.

A ação de preços (price action) deve permanecer volátil diante das mudanças nas expectativas sobre a política do banco central americano e a persistente incerteza geopolítica.