- Ouro atinge novas máximas acima de US$ 3.600 por onça, impulsionado pela demanda de proteção e por apostas de cortes de juros pelo Fed.
- Mercados já precificam integralmente um corte de 25 pontos-base na reunião de setembro, após dados de emprego fracos.
- Operadores aguardam os dados do PPI e do CPI nesta semana para avaliar se o Fed deverá manter o corte de 25 bps ou considerar uma redução maior.
O ouro iniciou a semana com viés altista, rompendo para patamares históricos acima de US$ 3.600 por onça, com um dólar mais fraco e expectativa de estímulo monetário que sustenta a demanda por ativos de refúgio. A prata vem acompanhando, e o metal já acumula alta relevante neste ano, reforçando seu papel como proteção de valor.
No momento da redação, XAU/USD opera próximo de US$ 3.615, entrando em território inédito, com o dólar debilitado e expectativas de cortes do Fed mantendo a demanda elevada. Na semana passada, as divulgações de emprego mostraram que a economia dos EUA adicionou apenas 22 mil vagas em agosto, abaixo do previsto, enquanto a taxa de desemprego subiu para 4,3%. O presidente do Fed, Jerome Powell, em fala no Jackson Hole, alertou que os riscos de deterioração do emprego estão aumentando, descrevendo o mercado de trabalho como um equilíbrio instável entre oferta e demanda por trabalhadores.
Além disso, o humor geral ainda favorece o ouro. Bancos centrais ao redor do mundo continuam a aumentar suas reservas de ouro para diversificar away do dólar e de Treasuries, diante de temores de inflação, confiança débil em gestores e questões de independência do Fed. Paralelamente, tensões geopolíticas e atritos comerciais globais elevam a procura por ativos seguros, reforçando o papel do ouro como reserva de valor, mantendo-o próximo de níveis recordes.
Fatores de risco globais em foco
- The US Dollar Index (DXY) estabiliza após a queda de sexta-feira, mas permanece pressionado, em torno de 97,75.
- Os rendimentos das Treasuries dos EUA se estabilizam após queda de três dias, com o título de 10 anos em cerca de 4,09% e o de 30 anos em cerca de 4,78%. O segundo ano (2Y) recua para 3,51%, refletindo expectativas de afrouxamento do Fed.
- Antes dos dados de empregos, os traders precificavam totalmente um corte de 25 bps para a reunião de setembro. Com o NFP abaixo do esperado, o mercado atribui cerca de 10% de chance para um corte maior de 50 bps, mantendo a probabilidade de 25 bps próximo de 90%, segundo CME FedWatch. Preços futuros sugerem até três cortes até o fim do ano.
- A instabilidade política no Japão gerou volatilidade após o anúncio de renúncia do primeiro-ministro, provocando uma disputa de liderança no partido no poder. O iene voltou a cair à medida que investidores aguardam diretrizes sobre a postura fiscal e monetária do novo líder.
- Na França, o governo parece vulnerável enquanto o primeiro-ministro enfrenta uma votação de confiança. Se o governo fracassar, Macron pode nomear um novo premiê ou convocar eleições antecipadas.
- A visão de risco político-comercial ficou em pauta após declarações do secretário do Tesouro dos EUA sobre a estratégia de tarifas. Ele disse estar confiante de que a estratégia será mantida pela Suprema Corte, mas reconheceu riscos caso haja derrota, o que exigiria devolução de parte das tarifas arrecadadas se o caso se arrastar até 2026.
- Na agenda econômica, o foco fica nas próximas divulgações de inflação: PPI (quarta-feira) e CPI (quinta-feira). Com o corte de setembro já visto como inevitável, esses dados podem influenciar se o mercado espera apenas 25 bps ou se considera uma redução maior.
Análise técnica
O XAU/USD mantém a tendência de alta, atingindo novas máximas próximas de US$ 3.620 após romper a zona de consolidação de US$ 3.500 na semana passada. A configuração técnica ainda favorece o lado positivo, com o metal acima das médias móveis de curto e médio prazo, indicando momentum robusto. O RSI permanece em território de sobrecompra, sugerindo possibilidade de recuo, enquanto o ADX acima de 30 reforça a força da tendência.
No suporte imediato está a faixa de US$ 3.550, seguida de US$ 3.500, e as próximas resistências ficam em US$ 3.650 e US$ 3.700.
Perguntas frequentes sobre Ouro
Por que as pessoas investem em ouro?
O ouro tem sido historicamente visto como reserva de valor e proteção em tempos de incerteza, funcionando como refúgio seguro e proteção contra a inflação, sem depender de um emissor específico.
Quem detém mais ouro?
Bancos centrais são os maiores detentores, diversificando para sustentar a solvência das moedas. Em 2022, houve uma das maiores aquisições anuais, com bancos centrais de países emergentes aumentando reservas.
Como o ouro se relaciona com outros ativos?
O ouro tende a ter correlação inversa com o dólar e com títulos do Tesouro, além de uma relação com ativos de maior risco: quando o dólar cai, o ouro tende a subir, e em mercados de risco, isso costuma favorecer o metal.
Do que depende o preço do ouro?
O preço reage a fatores como instabilidade geopolítica, perspectiva de recessão, taxas de juros e, principalmente, a força do dólar, pois o ouro é cotado em dólares.
