O ouro (XAU/USD) registrou uma queda de mais de 1% na quarta-feira, atingindo mínimas de dois meses, enquanto o dólar recuperou parte das perdas anteriores. A aversão a risco se manteve neutra diante da especulação de que as negociações entre EUA e Irã podem estagnar. No momento da redação, o XAU/USD negociava a US$ 4.443, o nível mais baixo desde 30 de março.
O dólar americano recuperou terreno à medida que o presidente Donald Trump endureceu sua postura em relação ao Irã. Ele afirmou que não haverá alívio de sanções ao Irã, a menos que o país concorde em renunciar ao urânio. A Casa Branca negou um relatório da TV estatal iraniana que revelava o conteúdo de um rascunho enviado aos negociadores dos EUA.
O índice do dólar (DXY), que mede o valor da moeda contra seis moedas, registrou alta de 0,06% no dia, a 99,20, exercendo pressão sobre o ouro. Bancos centrais com postura mais agressiva também podem explicar a queda do metal precioso. O Banco da Reserva da Nova Zelândia (RBNZ) manteve a taxa de juros com orientação futura que sugere abertura para elevações devido ao impacto do choque de energia decorrente do conflito no Oriente Médio.
Investidores precificam apostas agressivas do Fed. O calendário econômico dos EUA contou com autoridades do Federal Reserve, lideradas pelo presidente do Fed de Minneapolis, Neel Kashkari. Ele afirmou que o equilíbrio de riscos para o duplo mandato sugere foco na inflação e que é cedo para prever ações do Fed. Os mercados monetários precificam quase 50% de chance de o Federal Reserve, agora liderado por Kevin Warsh, elevar as taxas no final do ano, de acordo com dados do Prime Terminal.
Na frente de dados, a média móvel de quatro semanas da Mudança de Emprego da ADP caiu para 35,75 mil, a partir de uma revisão de 40,75 mil, embora continue apontando para resiliência no mercado de trabalho. Esta semana, o calendário econômico dos EUA inclui pedidos de bens duráveis, dados de emprego, números do PIB e o indicador preferido de inflação do Fed, o Índice de Preços do PCE Core.
Análise técnica do XAU/USD: Ouro estende perdas abaixo de US$ 4.500, olhando para US$ 4.400
A ação de preço mostra que o ouro está pronto para estender perdas após atingir um mínimo de dois meses de US$ 4.401, antes de recuperar parte do terreno. O Índice de Força Relativa (RSI) está caindo profundamente em território de baixa, mas ainda acima da área de sobrevendido. Isso sugere que os vendedores estão no comando, abrindo a porta para mais perdas.
O primeiro suporte para o XAU/USD é US$ 4.400. Uma ruptura deste nível exporá o mínimo do ciclo de 23 de março de US$ 4.098, antes do marco de US$ 4.000. Para cima, a primeira área de interesse seria US$ 4.500. Uma vez superada, a próxima parada seria o nível psicológico de US$ 4.550. A ruptura deste pode levar ao nível de US$ 4.600 e, eventualmente, desafiar a Média Móvel Simples (SMA) de 50 dias em US$ 4.636.
Perguntas frequentes sobre o ouro
Por que as pessoas investem em ouro? O ouro desempenhou um papel fundamental na história humana, sendo amplamente usado como reserva de valor e meio de troca. Atualmente, além de seu brilho e uso para joias, o metal precioso é amplamente visto como um ativo refúgio, considerado um bom investimento em tempos turbulentos. O ouro também é visto como uma proteção contra inflação e moedas desvalorizadas, pois não depende de um emissor ou governo específico.
Quem compra mais ouro? Os bancos centrais são os maiores detentores de ouro. Em seu objetivo de apoiar suas moedas em tempos turbulentos, os bancos centrais tendem a diversificar suas reservas e comprar ouro para melhorar a força percebida da economia e da moeda. Grandes reservas de ouro podem ser uma fonte de confiança para a solvência de um país. Os bancos centrais adicionaram 1.136 toneladas de ouro, no valor de cerca de US$ 70 bilhões, às suas reservas em 2022, de acordo com dados do Conselho Mundial do Ouro. Esta é a maior compra anual desde o início dos registros. Bancos centrais de economias emergentes como China, Índia e Turquia estão aumentando rapidamente suas reservas de ouro.
Como o ouro se correlaciona com outros ativos? O ouro tem uma correlação inversa com o dólar americano e os títulos do Tesouro dos EUA, que são ativos de reserva e refúgio principais. Quando o dólar se desvaloriza, o ouro tende a subir, permitindo que investidores e bancos centrais diversifiquem seus ativos em tempos turbulentos. O ouro também está inversamente correlacionado com ativos de risco. Uma alta no mercado de ações tende a enfraquecer o preço do ouro, enquanto vendas em mercados de risco tendem a favorecer o metal precioso.
Do que depende o preço do ouro? O preço pode variar devido a uma ampla gama de fatores. A instabilidade geopolítica ou o medo de uma recessão profunda podem fazer o preço do ouro subir rapidamente devido ao seu status de refúgio. Como um ativo sem rendimento, o ouro tende a subir com taxas de juros mais baixas, enquanto o custo mais alto do dinheiro geralmente pesa sobre o metal. Ainda assim, a maioria dos movimentos depende de como o dólar americano (USD) se comporta, pois o ativo é precificado em dólares (XAU/USD). Um dólar forte tende a manter o preço do ouro controlado, enquanto um dólar mais fraco provavelmente empurrará os preços do ouro para cima.


