O Trump Put está imbatível

O presidente dos Estados Unidos julga-se — quase diariamente — pelo desempenho do Dow Jones. Ele não gosta de ver o mercado recuar, mesmo que por pouco tempo, e acredita — com certo grau de razão — que o progresso americano se mede pelo índice, especialmente quando ele alcança recordes contínuos.

Logo após o Dia da Libertação, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou que é a vez da economia real assumir o protagonismo, mas essa aposta durou apenas alguns dias, antes do recuo gradual das tarifas começar. As primeiras mudanças foram insinuadas pelo próprio Trump em tweets e nos bastidores.

Não é novidade: tenho acompanhado esse tema desde a Covid, quando Trump assinou, em pleno pânico, um registro de reversão intradiária em 13 de março de 2020. Repeti a história várias vezes durante a tentativa de reeleição.

Essa é, nos tempos de Trump, a bússola que guia as negociações.

Agora surge a ideia de permitir que a Nvidia venda chips para a China. Essa possibilidade já foi discutida durante as negociações com a China, o que leva a perguntar se já estava em curso ou se é uma tática para conter quedas de mercado. Se for a segunda opção, há um limite para quão repetidamente pode ser usada antes de perder efeito.

Nada disso derruba a noção de que Trump não suporta ver o mercado cair — e esse dinamismo deve ganhar ainda mais importância à medida que as eleições de meio de mandato se aproximam, em menos de um ano.

É claro que ninguém pode controlar o mercado; a Covid mostrou que a natureza pode causar dor de verdade, ainda que temporária. Mas Trump tem munição com dispensa de tarifas e pretende pressionar o Fed — uma combinação poderosa.

Atualização: fontes da Reuters também divulgaram o mesmo relatório. Trata-se de uma estratégia; resta saber se é real ou apenas jogada de comunicação.