O diabo volta aos detalhes: o relatório do CPI dos EUA promete novas informações

Vamos aos números esperados: como de costume, os ajustes do núcleo são os mais relevantes para o comitê de Política Monetária. Para agosto, o consenso aponta +0,30% m/m no núcleo, o mesmo ritmo de julho; ao olhar com mais uma casa decimal, a previsão fica em +0,32% m/m para agosto, o que também ocorreu em julho.

No plano anual, o núcleo deve ficar em +3,1% y/y. O número fica basicamente o mesmo de julho após arredondar, mas com 0,04 p.p. a mais na leitura de agosto: +3,10% y/y contra +3,06% y/y em julho. Esta é a expectativa antes da divulgação do relatório.

E os demais componentes?

Em julho houve aceleração nos preços de núcleo, impulsionada principalmente por serviços e não por bens. Isso contribuiu para que o mercado aliviasse, na expectativa de que a transmissão de tarifas ainda não é dominante. Então, o que esperar hoje?

As bases comparativas devem ajudar a energia a recuperar parte das quedas, já que os preços de energia recuaram 1,1% m/m em julho. As estimativas da MNI sugerem um aumento de cerca de 0,8% neste mês. Os preços de alimentos também devem subir no mês, mantenha isso em mente.

Mas o dado mais importante será o comportamento do núcleo de preços de bens. A expectativa é de novo avanço, com a MNI estimando +0,30% m/m, acima do +0,21% m/m observado em julho, que ficou aquém das expectativa de consenso.

Com o mercado já precificando um corte de 25 pontos-base para a próxima semana, a dúvida é se haverá evidência suficiente — ou falta dela — para favorecer um corte de 50 pontos-base. Isso exigiria que as leituras de inflação ficassem abaixo das estimativas, com mais um mês de resultados fracos no núcleo de bens.

Ou seja, isso implicaria mais um mês em que a transmissão de tarifas para os preços ainda não se materializou de forma relevante.

No fechamento do ano, os operadores veem cerca de 68 pontos-base de cortes já precificados. Se surgirem números de inflação mais quentes que o esperado, é possível que haja ajuste de preços na precificação, com setembro sendo uma perspectiva provável, mas com ceticismo sobre um movimento agressivo na próxima semana. Isso também alimenta dúvidas sobre a necessidade de o Fed reduzir as taxas de forma consecutiva em setembro, outubro e dezembro.

Diante disso, se houver motivos para recalibrar os cortes de juros, é provável que isso apareça na precificação até o fim do ano — menos em setembro. Entretanto, os números de hoje podem orientar a forma como o Fed estruturará a comunicação para a próxima semana.

Acompanhe novas análises em breve.