NZD/USD cai pela quarta sessão, tensões no Oriente Médio e confiança fraca da NZ pressionam o dólar

NZD/USD recuou pelo quarto dia seguido e opera próximo de 0,5750 nesta sexta-feira, pressionado pela renovada aversão ao risco e pela força do dólar.

O cenário global permanece tenso, com riscos geopolíticos crescendo no Oriente Médio. A decisão do presidente dos EUA de suspender temporariamente ataques a infraestruturas de energia iranianas por dez dias trouxe alívio limitado, já que o mercado continua apreensivo quanto a um caminho claro de desescalada. O fechamento do Estreito de Hormuz pelo Irã alimenta preocupações com preços de energia e pressões inflacionárias.

Em meio a esse ambiente, o dólar mantém viés de alta, apoiado pela condição de refúgio. Rendimentos norte-americanos mais altos, com a taxa de títulos de 10 anos flutuando perto de 4,45%, reforçam o apelo do USD.

Dados econômicos dos EUA apresentaram um quadro misto. O Índice de Confiança do Consumidor da Universidade de Michigan caiu para 53,3 em março, de 55,5 em fevereiro, sinalizando aumento do pessimismo entre as famílias. Ao mesmo tempo, as expectativas de inflação de um ano subiram para 3,8%, destacando preocupações persistentes com pressões inflacionárias.

Autoridades da Fed permanecem cuidadosas. O vice-presidente do Fed, Philip Jefferson, afirmou que preços de energia mais altos devem ter impacto modesto na inflação, embora um choque prolongado possa ser mais significativo. Já o governador Michael Barr alertou que outro choque de preços poderia elevar as expectativas inflacionárias, reforçando a necessidade de avaliar cuidadosamente as condições econômicas antes de ajustar a política monetária.

Na Nova Zelândia, a confiança das famílias piorou consideravelmente. O índice ANZ-Roy Morgan de Confiança do Consumidor caiu para 91,3 em março, ante 100,1 em fevereiro, refletindo os impactos da incerteza geopolítica. Isso influencia o outlook econômico e complica o caminho de política monetária do Reserve Bank of New Zealand (RBNZ).

A governadora Anna Breman sinalizou que o banco pode ignorar temporariamente a inflação impulsionada pela energia, mas está pronto para elevar as taxas se as pressões persistirem e abrirem espaço para a inflação se desancorar. Desde o início do conflito, o mercado tem precificado com mais intensidade a possibilidade de aperto antecipado.

Em síntese, a combinação de um dólar forte, rendimentos em alta e deterioração do sentimento global continua pressionando o kiwi.