As bolsas de valores da região asiática caem no início desta semana, pressionadas por conflitos no Oriente Médio e pelo ultimato do governo dos EUA para reabrir o Estreito de Hormuz, o que aumenta as preocupações com o fornecimento de energia.
Até o momento, o Nikkei 225 do Japão recuou cerca de 3,75%, ficando próximo de 51.360 pontos; o Shanghai Composite caiu 2,23% para perto de 3.870 e o Hang Seng cedeu aproximadamente 3,3%, por volta de 24.440. Enquanto isso, os futuros Gift Nifty indicam abertura do Nifty 50 com mais de 350 pontos de queda, próximo de 22.770.
No fim de semana, o presidente norte-americano Donald Trump afirmou, em postagem no Truth.Social, que poderia destruir instalações de energia iranianas caso o Estreito de Hormuz não seja totalmente reaberto em 48 horas.
Em resposta, o Irã prometeu fechar o Estreito de Hormuz por tempo indeterminado e ameaçou mirar infraestrutura de energia, tecnologia da informação e dessalinização na região pertencentes aos EUA e a Israel, segundo a Politico.
Entretanto, o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, em ligação com o presidente Trump, concordou que a reabertura do Estreito de Hormuz é essencial para retomar o comércio global, aumentando as expectativas de que a economia britânica possa apoiar as atuações militares dos EUA em breve.
Conflitos crescentes no Oriente Médio continuam pressionando o fornecimento de energia para a Ásia. A Saudi Aramco, maior exportador de petróleo do mundo, reduziu o suprimento aos compradores asiáticos pela segunda vez em abril, após a guerra EUA-Israel com o Irã ter interrompido o comércio via Hormuz. Isso pode elevar os custos para as famílias, já que as empresas enfrentam custos de insumos mais altos.
Visto que as economias asiáticas dependem fortemente de importações de petróleo para atender às necessidades energéticas, preços de energia mais altos podem colocar em risco o desempenho econômico.
Mercados Asiáticos – Perguntas frequentes
A Ásia responde por uma parcela significativa do crescimento econômico mundial e abriga índices importantes. Entre as economias desenvolvidas, o Nikkei japonês (225 empresas na bolsa de Tóquio) e o Kospi sul-coreano se destacam. Na China, os índices Shanghai Composite, Shenzhen Composite e Hang Seng em Hong Kong são relevantes. Com seu peso emergente, as ações indianas também chamam a atenção, com foco nos índices Sensex e Nifty.
As economias da região são distintas e cada uma tem setores-chave. Tecnologia domina em Japão, Coreia do Sul e, cada vez mais, na China. Serviços financeiros lideram mercados como Hong Kong e Cingapura, considerados hubs do setor. A manufatura também é forte na China e no Japão, com foco em automóveis e eletroeletrônicos. A crescente classe média impulsiona empresas de varejo e comércio eletrônico.
Diversos fatores influenciam os índices de ações asiáticos, mas o principal é o desempenho agregado das empresas que compõem os relatórios trimestrais e anuais. Os fundamentos econômicos de cada país, as decisões de bancos centrais e políticas fiscais também importam. De modo mais amplo, estabilidade política, progresso tecnológico ou o estado de direito podem impactar os mercados. O desempenho de índices americanos também é relevante, pois as ações asiáticas costumam reagir às Bolsas de Wall Street na noite anterior. O sentimento de risco global também pesa, já que ações são investimentos mais arriscados em comparação com renda fixa.
Investir em ações é arriscado, e os riscos específicos da região incluem diferentes sistemas políticos, desde democracias até regimes autoritários, com variações na estabilidade, transparência, Estado de Direito e governança corporativa. Eventos geopolíticos, disputas comerciais ou conflitos territoriais podem causar volatilidade. Desvalorizações cambiais também afetam a avaliação de ações. Países com economia exportadora costumam sofrer com moedas fortes, enquanto moedas mais fracas podem tornar seus produtos mais baratos no exterior.
