Inovação em Foco na Conferência FIX Southeast Asia de Trading Multi-Ativos 2025

Na segunda metade da semana passada, estive em Singapura participando da Conferência FIX Southeast Asia Multi-Asset Trading Conference 2025. O evento foi envolvente, com muitos tópicos relevantes sendo compartilhados e debatidos ao longo do dia.

A sessão de abertura permitiu networking entre organizadores e participantes, facilitando a troca de experiências sobre as diversas facetas dos mercados financeiros globais.

Logo, fomos para a sala de conferências, marcando o início das atividades em um ritmo mais concentrado, com foco total em uma única tela ao longo do dia.

O objetivo do encontro, conforme o próprio nome sugere, era entender as mudanças tecnológicas no setor e como elas democratizam o acesso aos ativos disponíveis nos mercados. O programa incluiu os tópicos e palestrantes a seguir:

  • Mercados em Movimento: Estrutura, Inovação e Mecânica de Mercado (Jean-Remi Lopez, Winnie Khattar, Larry Tabb)
  • Aceleração do Momentum de Cingapura: Tendências de Liquidez, Iniciativas e Expansão de Produtos (Bliss Chang)
  • Mercado em Foco: Atualizações do Vietnã e Mercados Emergentes (J.P. Riña, James Busch, Anthony Le, Hang Le, Khashayar Surti)
  • Negociação 24/5 dos Mercados dos EUA: Institucionais devem Prestar Atenção? (Abhishek Janaki, Robb Baiad, Jimmy Redbourn, Alexander Thorhauge)
  • IA em Ação: Como as mesas de operações experimentam a GenAI (Andrew Jim, Benoit Doumas, Pooja Kumari, Michael Smith)
  • Conversa: Fomentar Inovação e Aplicação de IA (Ankit Mittal, Kenneth Gay)
  • Conversa: Asia Unlocked: Liquidez, Acesso e Inovação (Meiyan Ding, Kelly Kong)
  • Painel: Ativos Tokenizados Prontos para o Grande Momento? (Edward Mangles, Boon-Hiong Chan, Sagar Desai, Andrew Scott)
  • Painel: Roteiro para a Mesa de Trading Verdadeiramente Multi-Ativos (Roland de Marsangy, Michael Bok, Julien de Jaillon, Matthew McLoughlin, Mike Powell)

Havia amplas discussões sobre o uso da IA e como ela está transformando a indústria como um todo, desde sistemas de back office até a implementação prática de operações. A velocidade com que a tecnologia vem ganhando espaço é impressionante, mas o foco continua em utilizá-la com eficiência para entregar resultados reais, não apenas por conveniência.

Quanto ao papel da IA nas negociações, o argumento de que deve atuar como ferramenta de assistência ao operador é, talvez, o mais persuasivo. Ainda levará anos, ou talvez nunca seja possível, a IA compreender nuances sutis da leitura de mercados e entender plenamente o que envolve cada operação. O mercado está em constante evolução, e os traders precisam acompanhar esse ritmo; esperar que a tecnologia substitua humanos é, por ora, um desafio.

Há, claro, algoritmos e ferramentas de IA gerando sistemas de negociação e reconhecimento de padrões, mas não se pode esperar que se mantenham estáveis a longo prazo, já que os mercados mudam constantemente junto com as pessoas envolvidas.

Dessa forma, usar a IA como ferramenta de suporte para resumir nossas melhores execuções, escolher classes de ativos, perfis de desempenho e ajustar métricas de risco parece mais plausível. A IA pode, rápido, traçar padrões históricos que ajudam a refinar decisões futuras.

No fim das contas, é mais real acreditar que a IA não substitui a atuação humana na execução fundamental de operações, pelo menos por enquanto.

Outro tópico que despertou interesse foi a tokenização e como ela pode reformular o ecossistema financeiro, democratizando ativos e tornando-os acessíveis a mais pessoas. Ainda há desafios regulatórios, e não existe um único órgão global para lidar com o tema, o que freia a adoção em larga escala.

A ideia compartilhada no encontro foi a de facilitar o acesso a ativos por meio de plataformas digitais, como se você identificasse uma música ao ouvir e pudesse, com um toque, obter a cópia via streaming, sem precisar visitar lojas físicas. Em outras palavras, a democratização de ativos deve se tornar rápida, simples e direta.

Não é mais necessário lidar com representantes de venda ou gestores de fundos para investir; quando tokenizados, o acesso a esses fundos fica disponível com apenas um toque na tela. Contudo, ainda levará tempo, com reguladores lutando para manter o espaço seguro e evitar Fraudes, ao mesmo tempo em que protegem seus próprios interesses.

Encerrando as atividades, houve uma sessão de compartilhamento sobre como as empresas estão migrando para uma estrutura verdadeiramente multi-ativo. Assim como a indústria, a equipe de investimentos precisa ser flexível e capaz de atuar em diferentes mercados, buscando oportunidades e maximizando ganhos.

No cenário atual, não faz sentido isolar traders por classe de ativos. O mercado é altamente interconectado, e entender o que acontece em outros mercados ajuda a evitar surpresas. O conhecimento é essencial para tomar decisões bem informadas, mesmo quando nem tudo pode ser aproveitado em cada operação.

Em resumo, é prudente manter um conjunto de conhecimentos variados como reserva estratégia, pois, no mundo das negociações, verdadeira vantagem vem da preparação. E, embora pareça exagero, às vezes aquela pequena oportunidade pode definir a sua trajetória, como um guarda-chuva em um dia de verão imprevisível.

Para encerrar, minha gratidão à FIX Trading Community pela organização de um evento tão bacana em Singapura. Ansioso pela próxima edição.