As leituras recentes dos EUA destacam o dilema enfrentado pela autoridade monetária: a inflação permaneceu acima das projeções, com o índice principal em 0,38% mês a mês (versus 0,30% previsto) e a inflação núcleo em 0,346% (aproximadamente, devido às regras de arredondamento). O impacto já aparece, ainda de forma lenta, em algumas categorias mais sensíveis a bens importados, segundo analistas.
O foco está no mercado de trabalho
Há sinais de desaceleração no mercado de trabalho: pedidos iniciais de auxílio-desemprego subiram significativamente, atingindo o nível mais alto desde outubro de 2021. Ainda assim, resta observar se esse movimento continua nas próximas semanas. Mesmo com a inflação elevada, o mercado manteve apostas em cortes acentuados da taxa de juros nos próximos meses, o que ajudou o dólar a recuar diante de outras moedas.
É consenso entre observadores que cortes nas taxas, em um cenário de inflação ainda resiliente, podem enfraquecer o dólar, já que a política monetária fica menos exigente para conter o aperto de preços.
Agora, o foco se volta ao mercado de trabalho: depois de quatro anos com inflação acima da meta, é provável que as autoridades aceitem uma inflação persistente por mais tempo, o que pode resultar em fraqueza contínua do dólar e em novos abalos se as pressões de preço se mostrarem mais persistentes do que o esperado. O processo tende a ser gradual, não repentino.
