- O iene japonês recua no começo da semana diante da incerteza sobre altas de juros do BoJ.
- O persistente interesse de compra pelo dólar sustenta o USD/JPY.
- O descompasso entre as perspectivas de política do BoJ e do Fed pode limitar perdas maiores do iene.
O iene começa a semana mais fraco e parece vulnerável a manter a retração desde a máxima de julho, atingida frente a um dólar americano mais firme. A reação inicial à decisão do BoJ de manter a política de juros, ainda que hawkish, foi curta, em meio à incerteza sobre o timing e o ritmo dos aumentos. Além disso, o tom otimista nos mercados de ações diminui a demanda pela moeda japonesa, tradicional refúgio.
Por outro lado, a expectativa de que o BoJ siga o caminho da normalização monetária aponta para uma clara divergência com o sinal de afrouxamento do Fed, que indicou dois cortes adicionais ainda neste ano. Em teoria, isso pode pressionar o dólar para baixo e oferecer suporte ao iene, tornando prudente aguardar confirmação de ganhos antes de apostar em novas altas no par USD/JPY.
O iene japonês enfrenta dificuldade em atrair compradores, mesmo com a decisão hawkish do BoJ na última sexta-feira
- O BoJ manteve a taxa de juros inalterada em 0,50% pela quinta reunião consecutiva, com duas dissidências. O mercado permanece cauteloso diante de incertezas políticas internas e de tensões econômicas.
- Autoridades de gabinete indicaram que o BoJ atua alinhado com o pensamento do governo, e que, se questões políticas evoluírem, medidas para reduzir o impacto do custo de vida poderão ser incluídas.
- A China manteve as taxas de empréstimo estáveis em setembro, sinalizando cautela monetária, embora haja arrefecimento das tensões comerciais.
- O Federal Reserve cortou a taxa pela primeira vez desde o fim de 2022 e sinalizou dois cortes adicionais neste ano, destacando um descolamento com o BoJ.
- O dólar tem se beneficiado de comentários de dirigentes do Fed, com o presidente Powell sugerindo que cortes rápidos não são necessários.
- Não há dados econômicos relevantes programados para segunda-feira no Japão ou nos EUA; investidores ficarão atentos às falas de membros do FOMC para impulsos de demanda no câmbio.
Perspectivas técnicas
Mais além da perspectiva técnica, ultrapassar a marca de 148,00 pode abrir espaço para mais ganhos, com indicadores se fortalecendo. No entanto, a resistência na média móvel de 200 dias, em torno de 148,60, pode frear avanços; superar esse nível permitiria testar 149,20, próximo ao topo mensal.
Caso haja recuo, a região entre 147,65-147,70 pode oferecer suporte imediato; abaixo disso, 147,00 e 146,20 são alvos prováveis, com o possível alcance de 145,50-145,45 para continuidade de queda.