O Iene Japonês (JPY) está em desvantagem frente às principais moedas nesta segunda-feira, negociando 0,6% em baixa a cerca de 158,80 contra o Dólar Americano (USD) durante a sessão europeia. A moeda japonesa enfrenta pressão de venda, pois a conta corrente do país virou surpreendentemente para um déficit em junho.
Mais cedo, o Ministério das Finanças do Japão (MoF) informou que o fluxo líquido de bens, serviços e pagamentos de juros para dentro e fora do Japão foi de um déficit de JPY 92,3 bilhões, enquanto os dados esperavam um superávit de JPY 1.512 bilhões. Em maio, o superávit da conta corrente foi de JPY 3.968,3 bilhões.
O MoF relatou que os preços mais altos do petróleo bruto e pagamentos significativos de dividendos a investidores estrangeiros levaram a um salto considerável nos fluxos totais de saída.
Na frente da política monetária, o Resumo das Opiniões (SoP) da reunião de política de julho, divulgado mais cedo no dia, mostrou que a maioria dos oficiais continua a apoiar um viés de aperto. Um membro também defendeu a aceleração do processo de aperto mais do que os mercados esperam atualmente, diante dos crescentes riscos de alta para os preços.
Do lado do Dólar Americano, os investidores aguardam os dados do Índice de Preços ao Consumidor (CPI) dos Estados Unidos (EUA) para julho, que serão divulgados na quarta-feira, para obter novas pistas sobre a reunião de política monetária do Federal Reserve (Fed).
Após a divulgação do fraco relatório do NFP (Nonfarm Payrolls) dos EUA para junho na sexta-feira, os mercados financeiros reduziram as expectativas de aperto nas taxas de juros do Fed.
A precificação do Fed ganha força, pois dados fracos de emprego sustentam o viés de baixa para o dólar.
Estrategistas do ING destacam que o primeiro de seus cinco testes para uma postura mais dovish do Fed “chegou na sexta-feira e foi claramente dovish e negativo para o dólar”. Eles apontam que, como observa o economista do ING, James Knightley, “a impressão de 20.000 empregos não foi a única preocupação”, com “mais de 100.000 revisões para baixo”, deixando “o crescimento médio de empregos em apenas 20.000 nos últimos três meses, com saúde e assistência social ainda fazendo a maior parte do trabalho pesado”.
Nesse contexto, o ING afirma que “nossa previsão dovish para o Fed está se fortalecendo, e com ela nosso viés de baixa para o dólar”. O banco ressalta que, mesmo após o movimento de sexta-feira, “11 pontos básicos ainda são precificados para setembro, 28 pontos básicos para dezembro e 40 pontos básicos para abril”, argumentando que “ainda há espaço amplo para uma reprecificação dovish prejudicar o dólar se estivermos certos sobre o Fed”.
