Analistas da ING destacam que os dados de salários na Hungria de janeiro foram fortemente distorcidos por um bônus único pago aos militares e às forças de segurança, tornando o crescimento subjacente bem menor que o informado pelo dado agregado.
Distorção causada por bônus único
À primeira vista, isso pode parecer surpreendente. Contudo, o avanço anual de 26,3% em janeiro de 2026 está fortemente distorcido por esse benefício salarial único de seis meses. Excluindo esse efeito, o crescimento real dos salários fica próximo de 8,3%.
O bônus deve elevar o crescimento salarial médio anual em cerca de 1,5 ponto percentual em 2026. Em termos mensais, salários líquidos cresceram mais rápido do que os salários brutos, refletindo mudanças em auxílios familiares e benefícios fiscais para mães introduzidos no começo de janeiro.
Como o salário médio ficou mais distorcido em janeiro, as mudanças na mediana são particularmente importantes. O aumento da mediana acompanhou o reajuste de 11% do salário mínimo, o que indica que a elevação do piso salarial comprimiu rendas mais baixas, algo que as empresas buscaram mitigar.
Esses indicadores estão alinhados com o que já observamos neste ano. As vendas no varejo começaram o ano com crescimento surpreendentemente forte, impulsionadas por benefícios pontuais, mudanças tributárias e maior poder de compra real. As estatísticas mais recentes apontam pressão salarial crescente do lado corporativo.
A grande dúvida é como as empresas vão reagir a choques de custos provocados pela guerra no Oriente Médio, pelo aumento dos custos trabalhistas e por um crescimento econômico mais fraco. Diante da deterioração do cenário, repassar custos de mão de obra pode se tornar mais difícil, o que pode levar a reduções significativas de quadro, gerando risco adicional para as perspectivas de crescimento da Hungria.