GBP/USD recua diante de tom hawkish do BoE e dólar dos EUA resiliente

GBP/USD recua nesta sexta-feira, operando próximo de 1,3380, com queda de cerca de 0,39% após a forte reação de ontem, impulsionada pela decisão do Banco da Inglaterra. O dólar dos EUA recupera terreno, refletindo uma reprecificação das expectativas de política monetária global.

BoE mantém juros em 3,75% com tom hawkish O Banco da Inglaterra deixou a taxa inalterada em 3,75%, como esperado, mas surpreendeu ao aprovar a manutenção por unanimidade, 9 a 0, contrastando com a votação anterior de 5 a 4. O tom mais firme sinaliza disposição para agir se a inflação permanecer elevada, segundo o governador Andrew Bailey.

A MPC revisou significativamente para cima a projeção de inflação para o terceiro trimestre, para cerca de 3,5% (de 2%), impulsionada principalmente pelo aumento nos preços de energia ligados ao conflito no Oriente Médio. Vários membros adotaram uma postura mais hawkish, entre eles Catherine Mann, que já considera possível uma manutenção prolongada ou até mesmo um aumento de juros, enquanto Swati Dhingra, tradicionalmente mais dovish, reconheceu que as taxas podem precisar subir.

Do lado norte-americano, a Fed manteve a faixa de juros entre 3,50% e 3,75% e continua projetando pelo menos um corte neste ano. Contudo, o presidente Jerome Powell destacou a incerteza elevada relacionada ao conflito no Irã, e o diagrama de pontos indicou um número maior de autoridades já não esperando cortes neste ano, apoiando o dólar.

O Dólar Index (DXY) volta a subir, aproximando-se de 99,50, após tocar mínimas próximas de 99,00 na quinta-feira. As expectativas de que o Fed manterá as taxas por mais tempo ajudam a sustentar o dólar, com a probabilidade de manutenção até o final de 2026 estimada em 71,8% segundo o CME FedWatch. Essa dinâmica limita ganhos adicionais do GBP/USD no curto prazo, mesmo com o suporte oriundo do BoE.

Segundo o MUFG, a forte reprecificação das expectativas sobre as taxas no Reino Unido elevou os rendimentos, o que dá suporte à libra, embora o movimento possa ter ido longe demais. O banco alerta que um agravamento do sentimento de risco, especialmente se as tensões no Oriente Médio aumentarem, pode impactar ações e reduzir esse apoio.

Já a ING avalia que o mercado pode ter sido excessivamente otimista sobre mais aperto do BoE. Mesmo com o viés hawkish, os preços do petróleo continuam a ser um fator crucial para o GBP/USD, influenciando tanto as expectativas de inflação quanto o sentimento de risco global.

Em resumo, o par permanece sob pressão de cenários de juros globais mais firmes, com o petróleo e a geopolítica permanecendo como fatores-chave para o movimento da libra frente ao dólar.